Quarta-feira, Novembro 26, 2003

OS PECADOS DO SEXUAIS
Em matéria de sexo, as secções das revistas femininas tipo «consultório do amor» estão a substituir a velha confissão da Igreja Católica.
Dantes, os pecados (muito especialmente os ligados ao sexo) tratavam-se no confessionário, a dois, e ficavam selados pelo segredo da confissão – a inconfidência do padre era delito grave e se ele revelasse os pecados de alguma paroquiana arriscava-se a ser repreendido pelo seu bispo e mesmo a ir para o Inferno. Por isso as mulheres (e os homens) não receavam conta-los, pois tinham a certeza de jamais seriam divulgados. É claro que se pecava tanto ou mais do que agora, sobretudo no que toca a pecados sexuais, mas o que se passava na alcova não vinha para a praça pública.
As coisas mudaram e muito; e hoje as meninas e senhoras (e os homens) contam tudo; já não ao padre (que guardava segredo) mas nas páginas das revista femininas com tiragens de dezenas ou centenas de milhar. Contam, sem pudor, as fraquezas da carne e os vícios sexuais mais abjectos. Fazem-no sob a forma de «consultas de amor» com uma liberdade de conceitos e de linguagem que nos deixa de boca aberta.
Todos conhecemos essas secções pois são o atractivo de tais revistas. Coisas assim:
«O meu namorado gosta que eu lhe faça sexo oral e eu também não desgosto de o fazer, mas acho o sabor do esperma muito desagradável. Embora saiba que ele é uma pessoa muito limpa, não consigo vencer a repugnância e custa-me engolir. Só não lho digo por vergonha e para que ele não me ache uma moça muito antiquada. Que devo fazer?».
A consultora, responsável pela secção na revista, responde:
«Não há razão para se sentir envergonhada. Há muitas mulheres a quem isso acontece e, realmente, o sabor do esperma varia de homem para homem. Mas não se preocupe que, se insistir, o que agora lhe repugna, tornar-se-á agradável e até desejável».
Isto pode parecer incrível aos leitores de boa formação moral. Nós achamos simplesmente curioso, sobretudo o facto de a consultora dizer que «o sabor do esperma varia de homem para homem». Supomos que ela seja uma provadora emérita e experimentada.
(Nota: Tão rápida caminha a engenharia biológica que um dia os homens produzirão esperma com sabor a morango ou a framboesa, à vontade das suas amadas.)

Domingo, Novembro 23, 2003

DENTISTAS E DENTES
Muitos se perguntam por que estamos a ser invadidos por bandos de dentistas brasileiros.
Expliquemos porquê.
Foi no período devónico, cerca de 350 milhões de anos antes de Cristo, que apareceram os primeiros animais com dentes. Eram os tubarões, descendentes dos ostracodermos. Comer é, pois, um costume muito antigo, embora mais antigo ainda seja o beber, pois para beber não são precisos dentes. Daí a razão de haver mais bêbados do que comilões.
A mastigação é um prática inaugurada pelo tubarão, mas é grande a diferença que vai dos toscos dentes deste animal para a fiada de pérolas que as locutoras de TV empregam para sorrir. O sorriso é, talvez, a única demonstração evidente de que o focinho foi aperfeiçoado. O homem, além de ser o único animal que ri, é também o único que sabe rir. Inventou o riso para rir de si mesmo, coisa de que os animais não têm necessidade, pois não são suficientemente ridículos para isso.
Há duas coisas que tornam possível um sorriso bonito: a existência de dentes e a eficiente assistência técnica dum dentista. Eis por que a profissão desses senhores é extremamente rendosa. E não admira, pois é uma profissão muito ecléctica, visto que o dentista tem de saber fazer pontes como um engenheiro, coroas, como uma florista, extrair raizes como os matemáticos, perfurar como os mineiros, fazer sofrer como os gerentes bancários.
E a profissão é rendosa, pelo seguinte: o que mais há no corpo humano são dentes. Os outros órgãos que reclamam as atenções dos médicos, com excepção de alguns que nascem aos pares (como os pulmões, os rins e os colhões), aparecem, no corpo humano, isolados. Em contrapartida, os dentes aparecem às dezenas; 32 exactamente!
Atendendo a que existem no Mundo cerca de 6 biliões de pessoas, poderemos contar (se tivermos paciência para isso) à volta de 192 biliões de dentes, que é uma respeitável cifra com este aspecto: 192 000 000 000. Por aqui se poderá calcular a clientela e os lucros de um dentista.
Alguém objectará que nem todas as pessoas tem os trinta e dois dentes, como manda a lei. Mas (respondo), se não os têm, é porque os dentistas já lhos tiraram. Poderá argumentar-se ainda que muitos deles caem por si próprios, como maçãs maduras ou bichadas, e que muitos desaparecem em cenas de pancadaria. Mas (torno a responder) esses vão, no dia seguinte, consultar um dentista para que lhos substitua.
Por trás de cada dente ou em cada buraco onde já existiu um dente, não há dúvida, espreita a conta dum dentista.
Daí a invasão de dentistas brasileiros pois, segundo a propaganda que o nosso Governo faz lá fora, ainda há em Portugal alguns (poucos)cidadãos com possibilidade de comprar comida.
Até quando, D. Manuela?

CARTA AO PAPA
Exmº. Sr. Papa:
Vossa Santidade está metido numa alhada de que não sei, francamente, como se vai desenrascar. É o caso dos padres pedófilos.
E tudo porque nunca ligou puto às nossas advertências. Por mais de uma vez lhe temos chamado a atenção: cuidado com essa cambada! De uns tipos que vivem em permanente ociosidade outra coisa não seria de esperar. Se tivessem de vergar a mola já não lhes sobrava tempo nem vontade de entrar nessas vacarrices abjectas com crianças. E com as facilidades que lhes dá o confessionário, ali metidos num cubículo, numa penumbra propiciatória, segredando conselhos e sugestões, desvendando a vida privada da indefesaa vítima, com a autoridade que o seu posto lhes confere, com um poder quase igual ao de Deus... o que é que Vossa Santidade esperava que acontecesse?
Acabar com essa prática abjecta do confessionário será meio caminho andado para a moralização dos padres. Os católicos de todo o mundo esperam que tenha coragem para o fazer. Se não acabar, já, com as confissões, terá ainda muitos amargos de boca: porque, sobre padres pedófilos, não sabe ainda a missa a metade.
Desejamos-lhe uma longa vida.
MARIDOS IMPOTENTES
– A impotência masculina não existe. – afirma categoricamente o dr. Bergstrom de Nova Iorque – Na maior parte dos casos trata-se apenas de uma desculpa que os homens dão para os deixarem dormir em paz; ou então para evitar que, a pretexto da cambalhota, lhes venham pedir dinheiro, vestidos, jóias, comesainas nos restaurantes... ou até outra cambalhota.
Não existem portanto maridos impotentes, mas apenas maridos preguiçosos ou aldrabões, estimadas leitoras. E se, no caso da preguiça, a cura é muito difícil – pois um tipo que nasce preguiçoso, morre preguiçoso, por mais que tentem estimulá-lo – no caso da real impotência há boas hipóteses de cura. O que é preciso é reciclá-lo.
a) Se o seu marido é dos que se cortam e a leitora quer endireitá-lo (em todo o sentido da palavra), comece por transmitir-lhe a convicção de que não será explorado, mas recompensado. No final de cada queca ofereça-lhe um presente: um par de peúgas, uma gravata, um after-shave ou uma garrafa de uísqui;
b) Não passe a vida a comprar trapos novos; diga-lhe que o amor (dele) a aquece muito mais e melhor do que essas futilidades;
c) Não o crave para ir comer mariscos à cervejaria; leve-lhe você as gambas e a lagosta à cama;
d) Não lhe peça dinheiro para produtos de beleza; convença-o de que o cálcio e as hormonas (do esperma dele) lhe farão melhor à pele do que um tratamento no instituto de beleza.
e) Deixe-o dar umas quecas com outras mulheres, mesmo com prostitutas (para não perder o hábito) e até com amigas suas, proprcionando-lhe esses encontros. Isto se as suas amigas forem boas e eficazes fodilhonas, caso contrário pode agravar ainda mais o desinteresse dele pelo foqui-foqui.


Quinta-feira, Novembro 20, 2003

Começa a duvidar-se de que David, rei de Israel, que viveu no século X antes de Cristo e fundou Jerusalém, não era aquele modelo de nobreza moral que os israelitas nos querem impingir. Entre outras patifarias conhecidas, refira-se o ter mandado matar o General Urias para lhe comer a mulher, a célebre Betsabé, grande pedaço, talvez melhor que as melhores apresentadoras da televisão e cuja beleza inspirou pintores como Rafael, Cranach e Rembrandt que a retrataram com todo o coxame e mamalhal à vista.
Sabe-se que David era também panasca, ou melhor, dava para os dois lados. A Bíblia dá pistas nesse sentido. O Segundo Livro de Samuel, capítulo I, transcreve as lamentações de David após a morte de Jónatas, jovem filho de Saúl:
«Sinto-me atormentado por ti, amado Jónatas, que foste sempre tão carinhoso comigo. O amor que me davas era mais maravilhoso que o amor das mulheres.»Comprometedor, não?
Cremos que os israelitas mais sérios e honestos devem sentir-se um tanto envergonhados com este Rei que foi, afinal, o fundador da sua nacionalidade.
(Se viessem dizer-nos que D. Afonso Henriques era panasca, seria, para nós, um duro golpe — teríamos talvez menos orgulho em ser portugueses.
Mas não, tal risco não existe — tranquilize-se o leitor. O máximo de que o nosso primeiro rei pode ser acusado é de faltar à palavra dada, encravar os amigos e dar porrada na mãe. De panasquices não rezam as crónicas.)
Alguns historiadores limpam esta nódoa afirmando que David só enrabava Jónatas quando não tinha a Betsabé à mão, já que o cu de ambos eram buracos em tudo semelhantes.
Mas para pessoas puritanas e bem formadas, no número das quais nos incluímos, tal intimidade entre dois homens é de todo inaceitável, mesmo tendo em conta esse pormenor.

Às vezes nem com muita fé conseguimos satisfazer os nossos desejos. Temos então de juntar à fé uma cápsula de Viagra.
Para as meninas recém nascidas, o biberão é terceira mama. A quarta só virá quinze ou dezoito anos mais tarde.
O slogan que os padres mais apreciam, sobre o aborto, é: SOMOS PELA VIDA.
Já na Inquisição o tinham usado; com uma ligeira diferença: nesse tempo eram PELA VIDA... ETERNA.

Não passa de uma frase feita dizer que metade da humanidade vive à custa da outra metade. É absolutamente falso. Os que vivem à custa dos outros (incluindo políticos e senhoras por conta) não são mais do que vinte ou trinta por cento do total.
Durante uma guerra civil, alguns morrem pelos seus ideais. Mas a maior parte morre pelos ideais dos outros.
Muitas pessoas lêem as revistas femininas para tomar conhecimento do que fazem a Lili Caneças, a Margarida Prieto, a Dadinha Monteiro Grilo, a duquesa de Bragança, a Cinha Jardim, a Estefânia do Mónaco, a Isabel Preysler e outras assim. Mas nunca chegam a saber... pela simples razão de que elas não fazem nada.
Raras vezes é na mulher que mais amamos que damos a mais saborosa foda.

Sexta-feira, Novembro 14, 2003

CAMISAS DE VENUS
Afinal o Papa é quem tinha razão. Na sua campanha contra o preservativo, o Vaticano sabia muito bem o que estava a fazer. Via longe, como se costuma dizer. Muito antes dos cientistas chegarem a essa conclusão já os padres, bispos e cardeais, essa mafia, sabiam que, com a corrida desenfreada ao consumo de camisas de Venus, a matéria prima de que elas são feitas esgotar-se-ia rapidamente. Só agora o mundo científico se apercebeu. O latex não é eterno. Muito em breve havemos de querer dar uma fodinha em «sexo seguro» e não nos será permitido mais que tocar uma pívia.
Os investigadores, nos laboratórios, esfalfam-se a trabalhar para descobrirem um material que substitua o latex, com idênticas características em elasticidade, resistência e sabor. Mas, por enquanto, nada. Rien de rien.
Alguns ensaiam a tripa de carneiro ou porco com que se fazem os enchidos: alheiras, farinheiras, chouriços, morcelas, etc. Se a coisa resulta, é provável que continuaremos a ter o nosso preservativozinho. Mas por que preço? Se as tripas dos nossos irmãos carneiros for toda desviada para fabricar esse instrumento de protecção, sem dúvida imprescindível para o foqui-foqui, o que vamos comer? O que será do cozido à portuguesa, do feijão com chouriço, das alheiras de Mirandela?
Portanto, meus amigos, o dilema é este: ou comemos chouriços, ou fornicamos. É altura de se começar a pensar numa consulta ao povo.
Façamos um referendo.
FELAÇÕES
Como todos sabem, o Presidente Clinton praticava, com uma empregada da Casa Branca ( e com outras) um exercício chamado felação (palavra originária no verbo latino fello, fellas, fellare, fellavi, fellatum e que significa chupar).
Quando o chatearam, apresentou uma surpreendente teoria, segundo a qual um marido que entre numa de felação com mulher estranha, não pratica adultério (grande lata!). Portanto, a senhora Clinton não tinha razão para ficar chateada. De facto, a senhora Clinton não se chateou e até ficou agradecida a Monica Lewinsky. Embora não embarcasse na teoria de que broche não é acto sexual e portanto não constitui adultério, aceitou o facto com desportivismo e até satisfação, pois estava farta de levar com o bacamarte do marido, (desde que Paula Jones deixou de lhe fazer felação) e até já lhe doiam os queixais.
A novela acabaria em bem e a contento de todos se não fosse um tarado sexual chamado Kenneth Starr que quis tirar a limpo o embróglio e espremeu Monica Lewinsky até ela lhe contar, com todos os pormenores e posições, como a coisa se desenrolou. Se era de pé, no sofá, no chão, em cima da secretária presidencial, etc.. A rapariga foi mesmo obrigada a reconstituir o crime, com o próprio Kenneth Starr, por causa das dúvidas.
Um caso tão simples, que é o trivial em todas as latitudes e entre pessoas das mais diversas condições sociais, transformou-se numa notícia de primeira página e num problema político. O próprio Presidente, para tranquilizar o país, viu-se obrigado a despejar uma bombas em cima dos felás e, até que o assunto seja esquecido, muitos mais felás apanharão nos cornos. É assim a vida...

Sábado, Novembro 01, 2003

Ter ou não ter umas boas mamas, eis a questão.
Alguns historiadores são de opinião que o nariz de Cleópatra mudou a face do Mundo. Com isto querem dizer que essa egípcia boazona tinha um narizinho o que há de mais perfeito, pelo qual Júlio César se apaixonou e, quando ela lhe pôs os cornos, ficou tão ressabiado, tão fodido, que voltou a Roma e, histérico, fodeu a Europa inteira. Até nós apanhámos por tabela. Se não fossem as patifarias que os romanos fizeram na Península, estaríamos hoje a viver muito melhor e sem sem precisarmps dos fundos europeus.
Essa história do narizinho de Cleopatra é a que nos contam, mas a verdade é bem diferente.
O que a imperatriz Cleópatra tinha era um bom par de mamas, talvez melhores do que as da Sofia Aparício e sem silicone (que, aliás, nesse tempo não havia).
Assim se compreende que César ficasse maluco por ela e fizesse todos aqueles disparates. Porque ninguém fica perdido de amores por um nariz. Faz favor!
Posto isto, deixemos a História, onde acabamos sempre por nos atolar, e falemos das mamas propriamente ditas. E digo propriamente porque alguns atrasados ainda lhes chamam «seios», o que é um disparate.
As mulheres dividem-se em três categorias mamárias:
a) as que têm mamas grandes (e gostam de as ter e mostrar) como a maior parte das apresentadoras de Televisão;
b) as que as têm mais maneirinhas e no sítio e as consideram perfeitas;
c) a as que as têm descaídas e dão muito dinheiro a ganhar ao psiquiatras e aos cirurgiões de estética.
Uma mulher que gosta das suas mamas raramente tem depressões e engata facilmente o machão com quem quer foder ou o velhinho a quem quer foder o dinheiro.
Refira-se, para terminar este ensaio sobre mamas, que constituem o atributo feminino por excelência, (mas para os homens, pois são eles quem as goza e não tem de carregar com elas.)

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