Segunda-feira, Agosto 04, 2003

CARTA PARA TRÁS-OS-MONTES
Amigo Felismino
Que esta o encontre de boa saúde, bem como à patroa, é o que mais desejo, que eu por cá vou andando razoável, apesar dos escândalos que por aqui vão, do calor, das guerras que há dentro dos partidos e da roubalheira dos deputados (mas que agora não é tão grande porque estão todos de férias). Graças a Deus, vou resistindo a tudo.
Diz vocemecê, na sua estimada carta, que já está farto de Trás-os-Montes pois aí é tudo uma bandalhice e que País se está a rir com essa história das casas de alterne em Bragança. E agora, com os incêndios, é o fim.... Diz que está na disposição de vir também para Lisboa e pergunta-me se será fácil... Sobre isso, acho que fácil cá chegar, é; basta tomar o comboio em Vila Real ou a camioneta directa que sai da Régua. Mas quanto a arranjar trabalho, só se tiver uma cunha valente, que isto, está a abarrotar de penduras.
Aqui na repartição, onde arranjei um tacho, somos quarenta e três funcionários e nem sequer há cadeiras e jornais desportivos que cheguem para todos; tem de ser à vez. Como vê, aqui em Lisboa já há gente a mais. E até as putas são tantas por estas ruas que qualquer dia não há machos para lhes dar vazão... mesmo que elas baixem os preços, que é o que têm de fazer, agora com a concorrência das putas brasileiras e dos putos da Casa Pia. Uma desgraça!.. .
Pergunta-me vocemecê se ainda há mulheres boas no Parque Mayer e no Cais do Sodré, como havia há trinta anos quando o amigo cá esteve por via da tropa. Para lhe ser franco, são
lugarzinhos onde não me perco e consta-me que já não merece a pena lá ir.
Hoje, quem quiser ver bom gado rachado, vai é cheirar os ministérios e secretarias de Estado, que o bom material foi todo lá parar. Pela minha saúde como não estou a mangar!... Se calhar, algumas das vitelas vieram mesmo do Parque Mayer, e do Cais do Sodré; não me admirava...
Mal a gente entra, topa-se logo com cada lontra, por aquelas escadas e corredores, que até sentimos arrepios pela espinha acima! E agora, todas queimadinhas da praia e com uma minissaias do camandro, é um espectáculo de que o meu amigo não faz a mais pequena ideia! Nem parece que estamos numa casa séria, com tanta mulher e todas de encher o olho!... Custa um colhão de massa ao País mas creia que vale a pena.
Sobre o que elas lá estão a fazer, não sei dizer ao certo; mas que não têm ar de animais de trabalho, isso não têm... Punha a minha ca beça no cepo em como não fazem nenhum.
Mas como esta já vai comprida demais, o resto fica para a próxima, pois, se Deus quiser, ainda havemos de voltar ao assunto que merece bem a pena.
Sou este amigo certo e sempre ao dispor,
Inácio Moreira

Sexta-feira, Agosto 01, 2003

MARAVILHAS DA NATUREZA
Todos já ouvimos dizer que as mulheres chinesas são diferentes por terem a vulva rasgada no sentido transversal, ao contrário das nossas que a têm no sentido longitudinal, como sabem aqueles que já lá meteram o dedo ou outra coisa qualquer. O povo costuma dizer que elas «têm a cona atravessada».
Trata-se de um erro grosseiro, pois quem tem a racha vaginal colocada dessa estranha forma não são as chinesas mas sim as tailandesas. É uma singularidade biológica que, até hoje, ninguém soube explicar, (nem o Dr. José Hermano Saraiva, pessoa que explica tudo muito bem).
Se o leitor quiser verificar com os seus próprios olhos, escusa de ir a Banguecoque pois a viagem é caríssima. Basta-lhe dar uma volta por esses bares de alterne que há em Lisboa (e mesmo em todo o País – até em Bragança!) e encontrará, por certo uma gentil tailandesa que levante amavelmente as saias para lhe mostrar essa maravilha da natureza.

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