Quarta-feira, Julho 30, 2003
MERCEEIROS, POLÍTICOS E JORNALISTAS
Não há ninguém que, entrando numa mercearia a comprar um queijo, não pergunte imbecilmente ao merceeiro:
– O queijo é bom? – Como se alguma vez, desde que há homens e queijos, um merceeiro tivesse respondido com asco:
– Não senhor, não presta para nada. É uma merda. Uma autêntica porcaria!
Pois em política acontece o mesmo.
Quando um jornalista faz uma entrevista a um ministro este também nunca dirá que o seu governo é uma merda mas que irá promover a economia e o bem público, manter vivas a liberdade e a ordem democrática, o bem estar do cidadão, a eficiência e a moralidade do aparelho de Estado e pôr Portugal no pelotão da frente.
Pois jamais, desde que há políticos, algum respondeu que irá fomentar a prepotência, animar a fraude e a corrupção, proteger as roubalheiras dos amigos, sacar o mais possível no mais curto espaço de tempo.
Então por que é que o jornalista, que ao fim e ao cabo tem dois dedos de testa, sabendo isto, colhe as declarações do político e as suas promessas como se elas caíssem do alto do Sinai?
Porque é inata, no homem, a tendência para fazer perguntas tão tolas quanto inúteis, de que conhece de antemão a resposta inevitável e falsa. Porque existe dentro de cada um de nós um certo masoquismo que nos leva a desejar ser enganado e a colaborar activamente no próprio engano.
Porque se um merceeiro (ou um político) de espírito rigoroso e amor intransigente à verdade declarasse que o queijo era incomível, uma merda, e que só o vendia para ganhar dinheiro, então nós começaríamos a desconfiar do homem como de um ser anormal, mal educado, paranóico e provocador. Digamos mesmo: socialmente perigoso.
Bom, mas basta de falar de merceeiros e políticos pois assunto é chato. Apetece-me muito mais ir ver os cus e as mamas que dezenas de jovenzinhas agora mostram na televisão.
Não há ninguém que, entrando numa mercearia a comprar um queijo, não pergunte imbecilmente ao merceeiro:
– O queijo é bom? – Como se alguma vez, desde que há homens e queijos, um merceeiro tivesse respondido com asco:
– Não senhor, não presta para nada. É uma merda. Uma autêntica porcaria!
Pois em política acontece o mesmo.
Quando um jornalista faz uma entrevista a um ministro este também nunca dirá que o seu governo é uma merda mas que irá promover a economia e o bem público, manter vivas a liberdade e a ordem democrática, o bem estar do cidadão, a eficiência e a moralidade do aparelho de Estado e pôr Portugal no pelotão da frente.
Pois jamais, desde que há políticos, algum respondeu que irá fomentar a prepotência, animar a fraude e a corrupção, proteger as roubalheiras dos amigos, sacar o mais possível no mais curto espaço de tempo.
Então por que é que o jornalista, que ao fim e ao cabo tem dois dedos de testa, sabendo isto, colhe as declarações do político e as suas promessas como se elas caíssem do alto do Sinai?
Porque é inata, no homem, a tendência para fazer perguntas tão tolas quanto inúteis, de que conhece de antemão a resposta inevitável e falsa. Porque existe dentro de cada um de nós um certo masoquismo que nos leva a desejar ser enganado e a colaborar activamente no próprio engano.
Porque se um merceeiro (ou um político) de espírito rigoroso e amor intransigente à verdade declarasse que o queijo era incomível, uma merda, e que só o vendia para ganhar dinheiro, então nós começaríamos a desconfiar do homem como de um ser anormal, mal educado, paranóico e provocador. Digamos mesmo: socialmente perigoso.
Bom, mas basta de falar de merceeiros e políticos pois assunto é chato. Apetece-me muito mais ir ver os cus e as mamas que dezenas de jovenzinhas agora mostram na televisão.
SÉCULO XX
Lembramos os quatro maiores acontecimentos ocorridos no século XX.
1 - O primeiro cheque sem cobertura passado em Lisboa a 12 de Julho de 1904;
2 - A chegada dos americanos à lua;
3 - A genial criação musical «Sai, sai da minha vida!»
4 - A devastadora paixão entre Santana Lopes e Cinha Jardim.
Lembramos os quatro maiores acontecimentos ocorridos no século XX.
1 - O primeiro cheque sem cobertura passado em Lisboa a 12 de Julho de 1904;
2 - A chegada dos americanos à lua;
3 - A genial criação musical «Sai, sai da minha vida!»
4 - A devastadora paixão entre Santana Lopes e Cinha Jardim.
Terça-feira, Julho 29, 2003
NESTE QUENTE VERÃO...
Agora que estamos em plena canícula não queremos deixar de lembrar que foi antes de começar o Verão de 1988 (portanto, há 15 anos) que a Assembleia da República promolgou a célebre Lei sobre o nudismo. Apesar disso e infelizmente, ainda há muita jovenzinha que persiste em andar vestida.
Agora que estamos em plena canícula não queremos deixar de lembrar que foi antes de começar o Verão de 1988 (portanto, há 15 anos) que a Assembleia da República promolgou a célebre Lei sobre o nudismo. Apesar disso e infelizmente, ainda há muita jovenzinha que persiste em andar vestida.
A VIDA É FEITA DE MUDANÇA
Anos passados sobre o 25 de Abril, reinstalada paulatinamente a ordem, o Zé Povinho nem se deu conta que muitos desordeiros que nos moeram o juízo e sujaram o País, cagando as paredes com tintas e sprays indeléveis, estão agora na mó de cima. Quem tal diria?!
O ex-MRPP, Durão Barroso, por exemplo, que, das escadas da Faculdade de Direito, se fartou de puxar pelo peito, exaltando as greves selvagens, pedindo armas para o povo e exigindo revolução, não se saiu nada mal quando resolveu fazer vida séria, dando uma cambalhota para a direita. Bem pelo contrário.
Como o PCP não o atraía e o PS lhe fez um manguito quando tentou encostar, arriscou o PSD, por incrível que pareça. E o clube da Buenos Aires, demonstrando um feeling que o Pinto da Costa não desdenharia, abriu-Ihe e porta à experiência, testou o rapaz e ele correspondeu em cheio. Negócio fechado.
Hoje, é o que se vê.
Mudar – por vezes radicalmente – é próprio do político, mas não só. Assim como Durão Barroso deixou o MRPP (de extrema esquerda) para conduzir a política portuguesa da direita, Van Gogh faz-se pintor... porque não passa nos testes para pastor evangélico, e Adolfo Hitler torna-se o grande führer... porque, como pintor, era pior, muito pior, que o Mestre Cargaleiro.
Anos passados sobre o 25 de Abril, reinstalada paulatinamente a ordem, o Zé Povinho nem se deu conta que muitos desordeiros que nos moeram o juízo e sujaram o País, cagando as paredes com tintas e sprays indeléveis, estão agora na mó de cima. Quem tal diria?!
O ex-MRPP, Durão Barroso, por exemplo, que, das escadas da Faculdade de Direito, se fartou de puxar pelo peito, exaltando as greves selvagens, pedindo armas para o povo e exigindo revolução, não se saiu nada mal quando resolveu fazer vida séria, dando uma cambalhota para a direita. Bem pelo contrário.
Como o PCP não o atraía e o PS lhe fez um manguito quando tentou encostar, arriscou o PSD, por incrível que pareça. E o clube da Buenos Aires, demonstrando um feeling que o Pinto da Costa não desdenharia, abriu-Ihe e porta à experiência, testou o rapaz e ele correspondeu em cheio. Negócio fechado.
Hoje, é o que se vê.
Mudar – por vezes radicalmente – é próprio do político, mas não só. Assim como Durão Barroso deixou o MRPP (de extrema esquerda) para conduzir a política portuguesa da direita, Van Gogh faz-se pintor... porque não passa nos testes para pastor evangélico, e Adolfo Hitler torna-se o grande führer... porque, como pintor, era pior, muito pior, que o Mestre Cargaleiro.
Quinta-feira, Julho 24, 2003
CARTA DE VERÃO
Leitor Amigo:
Então como tem passado? E a família, bem? A esposa anda menos refilona e os meninos menos chatos?... O quê!? Não sabe da família!? Quer dizer que conseguiu impontar a mulher e os putos para casa dos seus sogros e foi veranear por conta própria? Bestial! Damos-lhe sinceros parabéns porque isso é o máximo, leitor. Isso é que são férias a valer! Uma pessoa só mexe-se com outro à vontade.
Ai não está só? Levou uma amiguinha consigo? Uma coleguinha do escritório, hem? Dezassete aninhos e gira, ainda por cima? E divertida? Um estoiro na cama? Vejam bem!... Mas o leitor sabe-a toda! Afinal, as suas férias são é a triplicar: largou o trabalho, livrou-se dos azeites e da patroa, do ranho dos putos, da merda das malas, maletas, cestas, sacos e sacolas... e filou uma boazona para andar com ela na rapioquice e dormir aconchegado e bem servido. Isso é que é vida! Uma chavala dessas de grande pintarola que ainda não precisa de soutien para segurar as mamas, imagine-se!
É claro que a festa vai custar-lhe uns patacos, mas se o dinheiro não serve para isso, merda... Ah! As despesas são pagas fifty-fifty e ela é que faz questão que assim seja!? Mal podemos acreditar!
Quer dizer, então, que essa teenager acompanha-o, atura-o, abre-lhe as pernas e não cobra nada a não ser a nhanha!? Quer dizer que ela faz mesmo questão de pagar, a meias, o almoço em que você come a dobrar, mais a cama onde alomba consigo!? Chiça!
Não, não estamos a chamar-lhe chulo, era o que faltava. Estamos é pasmados com a sua sorte. Porque o leitor tem andado a desfrutar não umas simples férias mas um verdadeiro paraíso. Aproveite, que oportunidades destas dificilmente se repetem na vida. E, se nos permite, vamos dar-lhe um conselho e exprimir um desejo.
O conselho é que use sempre preservativos, pois nunca se sabe por que mãos andou a chavala antes de ir parar às suas. (Se foi consigo, pode já ter ido com outro... ou outros.) A camisinha tira um bocado de gozo, mas paciência. Ou então habitue-a a fazer outros esquemas na cama, que ainda lhe dão mais gozo e não são tão perigosos. Se é que ela não está já habituada a isso.
O que desejamos é que a sua senhora, entretanto, o não o empalite também. E com o conhecimento da vizinhança, que ainda é o mais chato.
Acha que ela não seria capaz disso? Sente-se assim tão seguro?... Pois é pena, que lhe faria bem à saúde física e mental. Se ela fodesse mais, talvez refilasse menos. Além de que um homem com o seu sucesso e a sua tusa merece bem um lindo par de cornos.
Desejamos-lhe umas boas quecas.
Leitor Amigo:
Então como tem passado? E a família, bem? A esposa anda menos refilona e os meninos menos chatos?... O quê!? Não sabe da família!? Quer dizer que conseguiu impontar a mulher e os putos para casa dos seus sogros e foi veranear por conta própria? Bestial! Damos-lhe sinceros parabéns porque isso é o máximo, leitor. Isso é que são férias a valer! Uma pessoa só mexe-se com outro à vontade.
Ai não está só? Levou uma amiguinha consigo? Uma coleguinha do escritório, hem? Dezassete aninhos e gira, ainda por cima? E divertida? Um estoiro na cama? Vejam bem!... Mas o leitor sabe-a toda! Afinal, as suas férias são é a triplicar: largou o trabalho, livrou-se dos azeites e da patroa, do ranho dos putos, da merda das malas, maletas, cestas, sacos e sacolas... e filou uma boazona para andar com ela na rapioquice e dormir aconchegado e bem servido. Isso é que é vida! Uma chavala dessas de grande pintarola que ainda não precisa de soutien para segurar as mamas, imagine-se!
É claro que a festa vai custar-lhe uns patacos, mas se o dinheiro não serve para isso, merda... Ah! As despesas são pagas fifty-fifty e ela é que faz questão que assim seja!? Mal podemos acreditar!
Quer dizer, então, que essa teenager acompanha-o, atura-o, abre-lhe as pernas e não cobra nada a não ser a nhanha!? Quer dizer que ela faz mesmo questão de pagar, a meias, o almoço em que você come a dobrar, mais a cama onde alomba consigo!? Chiça!
Não, não estamos a chamar-lhe chulo, era o que faltava. Estamos é pasmados com a sua sorte. Porque o leitor tem andado a desfrutar não umas simples férias mas um verdadeiro paraíso. Aproveite, que oportunidades destas dificilmente se repetem na vida. E, se nos permite, vamos dar-lhe um conselho e exprimir um desejo.
O conselho é que use sempre preservativos, pois nunca se sabe por que mãos andou a chavala antes de ir parar às suas. (Se foi consigo, pode já ter ido com outro... ou outros.) A camisinha tira um bocado de gozo, mas paciência. Ou então habitue-a a fazer outros esquemas na cama, que ainda lhe dão mais gozo e não são tão perigosos. Se é que ela não está já habituada a isso.
O que desejamos é que a sua senhora, entretanto, o não o empalite também. E com o conhecimento da vizinhança, que ainda é o mais chato.
Acha que ela não seria capaz disso? Sente-se assim tão seguro?... Pois é pena, que lhe faria bem à saúde física e mental. Se ela fodesse mais, talvez refilasse menos. Além de que um homem com o seu sucesso e a sua tusa merece bem um lindo par de cornos.
Desejamos-lhe umas boas quecas.
Quinta-feira, Julho 17, 2003
PLATÃO E O AMOR PLATÓNICO
Essas depravações conhecidas como «O caso Casa Pia» de que, ultimamente, tanto se fala, sempre me fazem lembrar Platão.
– Mas, – perguntará o leitor – o que é que o grande filósofo grego terá a ver com tão sórdido assunto?
– Tem. Senão vejamos:
O tipo de amor que certos homens são capazes de sentir por uma mulher, olhando-lhe os olhos, em vez lhe apalpar as mamas; .lendo-lhe versos, sem a menor intenção de a levar a abrir as pernas, é o que vulgarmente se chama «amor platónico»
No entendimento comum, trata-se, de um amor puramente espiritual, sem desejo sexualmente expresso nem laivos de sensualidade. Digamos, falando terra-a-terra, que o amor platónico está para o amor físico como um copo de água da EPAL (vulgo, da torneira) está para um copo de Cartaxo tinto. Todavia, para o filósofo grego Platão, cujo nome está na base da conhecida expressão, o amor não era tão inocente quanto isso. Era, sim, depravado e não pouco. No entender dele, o amor «só atingia a perfeição, se acontecesse entre um homem nobre e um rapaz belo e em harmónico desenvolvimento». Sintomático, não?
O amor platónico, não é pois mas de uma vulgar e descarada panasquice.
Platão procurava nos estádios, entre os atletas gregos, os seus parceiros sexuais. Se vivesse hoje e em Lisboa, não os iria procurar aos estádios, embora também lá haja bom e disponível material. Iria, á noite, procurá-los no Parque Eduardo VII e nas imediações da Casa Pia.
Seria um dos mais assíduos clientes do Bibi.
Essas depravações conhecidas como «O caso Casa Pia» de que, ultimamente, tanto se fala, sempre me fazem lembrar Platão.
– Mas, – perguntará o leitor – o que é que o grande filósofo grego terá a ver com tão sórdido assunto?
– Tem. Senão vejamos:
O tipo de amor que certos homens são capazes de sentir por uma mulher, olhando-lhe os olhos, em vez lhe apalpar as mamas; .lendo-lhe versos, sem a menor intenção de a levar a abrir as pernas, é o que vulgarmente se chama «amor platónico»
No entendimento comum, trata-se, de um amor puramente espiritual, sem desejo sexualmente expresso nem laivos de sensualidade. Digamos, falando terra-a-terra, que o amor platónico está para o amor físico como um copo de água da EPAL (vulgo, da torneira) está para um copo de Cartaxo tinto. Todavia, para o filósofo grego Platão, cujo nome está na base da conhecida expressão, o amor não era tão inocente quanto isso. Era, sim, depravado e não pouco. No entender dele, o amor «só atingia a perfeição, se acontecesse entre um homem nobre e um rapaz belo e em harmónico desenvolvimento». Sintomático, não?
O amor platónico, não é pois mas de uma vulgar e descarada panasquice.
Platão procurava nos estádios, entre os atletas gregos, os seus parceiros sexuais. Se vivesse hoje e em Lisboa, não os iria procurar aos estádios, embora também lá haja bom e disponível material. Iria, á noite, procurá-los no Parque Eduardo VII e nas imediações da Casa Pia.
Seria um dos mais assíduos clientes do Bibi.
Quarta-feira, Julho 16, 2003
O LABREGO DO AVÔ
A nossa agricultura nunca chegou, sequer, para nos matar a fome. Se queríamos comer, tínhamos de comprar ao vizinho e andar eternamente endividados – tornámo-nos independentes há oitocentos anos e tal para cumprir essa triste sina.
O que não quer dizer que o pobre do lavrador não esfolasse no duro para sacar à terra o pouco que ela podia dar. Mal vestido, mal comido e, sobretudo, mal amado, andou nisso durante séculos, sempre na cauda desta estúpida caranguejola que é a sociedade portuguesa. Em suma: um mísero labrego, esfomeado, roto e mal cheiroso, mas cuja memória é indispensável conservar, pois hoje a moda não é tapar as misérias passadas, mas assumi-las, culturalmente.
Há, portanto, coisas que devem fazer-se a tempo ou, depois, dão uma trabalheira do caraças. E são indispensáveis para que não se percam as nossas raízes culturais.
Uma iniciativa que se impõe é a de espalhar museus de agricultura pelo País, antes que acabe de vez. A agricultura, claro, não País.
Isto, para que os netos dos nossos agricultores saibam como fazia o avô, quando, por exemplo, plantava batatas.
Ou quando semeava feijão, regava o milho, estrumava a terra ou colhia as cebolas – actividades que ainda se vão fazendo, aqui e ali, mas não tardam a ter o seu termo.
Que sentido fará, aliás, produzir cereais, vinho, batatas, manteiga ou presunto, numa Europa atolada em produtos desses e de melhor qualidade?
Não será bem mais interessante gozar a vida e comprar um bom carro, com os subsídios que estão a ser dados aos agricultores que se abstenham de... cultivar?
De modo que o cultivador português apronta o carrito e uma prancha de surf (ou uma tenda de campismo, conforme os gostos), alimenta-se de carne, legumes, frutas ou lacticínios da Comunidade e, vá lá, «faz» um pouco de informática e vai aos concursos da RTP. É mau?
Ou entra na política, que é, também, uma actividade nobre, criativa e rendosa... mas que seria chato mandar vir lá de fora, já feita, por óbvias razões de prestígio nacional.
Importar Durões, Portas, Manuelas, Bagãos Félix e Santanas Lopes seria lamentável prova de menoridade – não é o mesmo que importar alhos, laranjas e feijão.
Urge, portanto, encher o nosso Portugal dos tais museus de agricultura, quando não, os netinhos ficarão a zero sobre o que foi a puta da vida do labrego do avô – falta que muito iria empobrecer-lhes, o património cultural – valor tido, hoje, por indispensável.
Seriam capazes (sabe-se lá) de imaginá-lo a dirigir um Oldsmobile da época, de óculos escuros, cachimbo na boca e T-shirt de uma University... em vez de andar a puxar o arado, a meias com o burro.
Mas é importante que esses museus não sejam chatos, como o do Traje ou o do Teatro, onde só se vai por castigo. Têm de ser vivos!
Devem preocupar-se em mostrar quadros da vida real do tempo agrícola, mas com interesse – capazes de fixar a atenção do visitante mais insensível.
Estamos a lembrar-nos, por exemplo, das cenas trágicas de cabeças partidas à sacholada por questões de roubos da água de rega... quando havia regas e gajos dispostos a passar as noites em claro, na expectativa de apanhar o ladrão.
Ou, então, as cenas quentes das fodinhas dadas entre o milho (essas, sim, ecológicas), tão vulgares nesses heróicos tempos... em que havia milho.
Ou entre o trigo, o centeio ou a aveia, cereais tão bons quanto o milho para o avô esvaziar os tomates.
E ainda as cagadas no meio da horta... quando havia horta, com a calista folha de couve a servir de papel higiénico para limpar o cu.
«Bons tempos», dirão os incuráveis saudosistas. «Tempos fodidos», dirão os netos, condoídos da sorte do avô labrego... Se a sensibilidade lhes der para tanto.
A nossa agricultura nunca chegou, sequer, para nos matar a fome. Se queríamos comer, tínhamos de comprar ao vizinho e andar eternamente endividados – tornámo-nos independentes há oitocentos anos e tal para cumprir essa triste sina.
O que não quer dizer que o pobre do lavrador não esfolasse no duro para sacar à terra o pouco que ela podia dar. Mal vestido, mal comido e, sobretudo, mal amado, andou nisso durante séculos, sempre na cauda desta estúpida caranguejola que é a sociedade portuguesa. Em suma: um mísero labrego, esfomeado, roto e mal cheiroso, mas cuja memória é indispensável conservar, pois hoje a moda não é tapar as misérias passadas, mas assumi-las, culturalmente.
Há, portanto, coisas que devem fazer-se a tempo ou, depois, dão uma trabalheira do caraças. E são indispensáveis para que não se percam as nossas raízes culturais.
Uma iniciativa que se impõe é a de espalhar museus de agricultura pelo País, antes que acabe de vez. A agricultura, claro, não País.
Isto, para que os netos dos nossos agricultores saibam como fazia o avô, quando, por exemplo, plantava batatas.
Ou quando semeava feijão, regava o milho, estrumava a terra ou colhia as cebolas – actividades que ainda se vão fazendo, aqui e ali, mas não tardam a ter o seu termo.
Que sentido fará, aliás, produzir cereais, vinho, batatas, manteiga ou presunto, numa Europa atolada em produtos desses e de melhor qualidade?
Não será bem mais interessante gozar a vida e comprar um bom carro, com os subsídios que estão a ser dados aos agricultores que se abstenham de... cultivar?
De modo que o cultivador português apronta o carrito e uma prancha de surf (ou uma tenda de campismo, conforme os gostos), alimenta-se de carne, legumes, frutas ou lacticínios da Comunidade e, vá lá, «faz» um pouco de informática e vai aos concursos da RTP. É mau?
Ou entra na política, que é, também, uma actividade nobre, criativa e rendosa... mas que seria chato mandar vir lá de fora, já feita, por óbvias razões de prestígio nacional.
Importar Durões, Portas, Manuelas, Bagãos Félix e Santanas Lopes seria lamentável prova de menoridade – não é o mesmo que importar alhos, laranjas e feijão.
Urge, portanto, encher o nosso Portugal dos tais museus de agricultura, quando não, os netinhos ficarão a zero sobre o que foi a puta da vida do labrego do avô – falta que muito iria empobrecer-lhes, o património cultural – valor tido, hoje, por indispensável.
Seriam capazes (sabe-se lá) de imaginá-lo a dirigir um Oldsmobile da época, de óculos escuros, cachimbo na boca e T-shirt de uma University... em vez de andar a puxar o arado, a meias com o burro.
Mas é importante que esses museus não sejam chatos, como o do Traje ou o do Teatro, onde só se vai por castigo. Têm de ser vivos!
Devem preocupar-se em mostrar quadros da vida real do tempo agrícola, mas com interesse – capazes de fixar a atenção do visitante mais insensível.
Estamos a lembrar-nos, por exemplo, das cenas trágicas de cabeças partidas à sacholada por questões de roubos da água de rega... quando havia regas e gajos dispostos a passar as noites em claro, na expectativa de apanhar o ladrão.
Ou, então, as cenas quentes das fodinhas dadas entre o milho (essas, sim, ecológicas), tão vulgares nesses heróicos tempos... em que havia milho.
Ou entre o trigo, o centeio ou a aveia, cereais tão bons quanto o milho para o avô esvaziar os tomates.
E ainda as cagadas no meio da horta... quando havia horta, com a calista folha de couve a servir de papel higiénico para limpar o cu.
«Bons tempos», dirão os incuráveis saudosistas. «Tempos fodidos», dirão os netos, condoídos da sorte do avô labrego... Se a sensibilidade lhes der para tanto.
Terça-feira, Julho 15, 2003
Assim se lançam atoardas
No mais inteligente e menos convencional dos blogs, (o meu pipi), sustenta-se a hipótese de Adão ter sido gay, argumentando que «basta ver, na pintura do tecto da Capela Sistina , os abdominais mais do que definidos e o quebrar do pulso, características dos paneleiros.»
Haja respeito, porra! E objectividade! Se alguém ali exibe tiques de homossexual não é Adão, mas o próprio Criador. (Veja-se como se agarra a dois anjos com caras de larilas, enquanto um outro, por baixo, lhe apalpa as coxas).
Mas, pensando bem, talvez nem Deus nem Adão (recém criado à sua imagem e semelhança) tenham sido panilas. O autor do quadro foi Miguel Ângelo, esse, sim, homossexual assumido, protegido e amante do Papa Júlio II. Daí a tendência do célebre artista da Renascença, em pintar panascas.
No mais inteligente e menos convencional dos blogs, (o meu pipi), sustenta-se a hipótese de Adão ter sido gay, argumentando que «basta ver, na pintura do tecto da Capela Sistina , os abdominais mais do que definidos e o quebrar do pulso, características dos paneleiros.»
Haja respeito, porra! E objectividade! Se alguém ali exibe tiques de homossexual não é Adão, mas o próprio Criador. (Veja-se como se agarra a dois anjos com caras de larilas, enquanto um outro, por baixo, lhe apalpa as coxas).
Mas, pensando bem, talvez nem Deus nem Adão (recém criado à sua imagem e semelhança) tenham sido panilas. O autor do quadro foi Miguel Ângelo, esse, sim, homossexual assumido, protegido e amante do Papa Júlio II. Daí a tendência do célebre artista da Renascença, em pintar panascas.
Portugal e o Turismo
A História do Portugal Turístico está por fazer, mas pode já dizer-se que muito erram os que referenciam o início do turismo no nosso País aos anos 30/40. A verdade é substancialmente diferente – tudo leva a crer que as chamadas invasões dos bárbaros (celtas, iberos, suevos, alanos, vândalos, visigodos) não correspondem, minimamente, ao que delas dizem os manuais da História Pátria, escrevinhados sobre os joelhos, à pai-adão, por matosos, saraivas ou serrões. Investigações recentes permitem concluir que a vinda desses povos, em grupos assaz numerosos, nada tinham de invasões, no sentido militar do termo, podendo, sim, considerar-se afuxos turísticos... embora mal compreendidos pelos indígenas lusitanos.
O nosso calisto atraso cultural já então se fazia sentir, pelo que, em vez de recebermos esses bárbaros com ramos de flores, bandas de música, galos de Barcelos e garrafinhas de Porto, crivámo-los de lançadas e frechadas, assim perdendo uma oportunidade, rara na antiguidade, de facturar umas notas e aprender algo com eles.
Era, aliás, tão grande esse atraso, que, mesmo que os tivéssemos entendido, não dispúnhamos de infraestrutura hoteleira capaz de os acolher. Nem metade!
A História do Portugal Turístico está por fazer, mas pode já dizer-se que muito erram os que referenciam o início do turismo no nosso País aos anos 30/40. A verdade é substancialmente diferente – tudo leva a crer que as chamadas invasões dos bárbaros (celtas, iberos, suevos, alanos, vândalos, visigodos) não correspondem, minimamente, ao que delas dizem os manuais da História Pátria, escrevinhados sobre os joelhos, à pai-adão, por matosos, saraivas ou serrões. Investigações recentes permitem concluir que a vinda desses povos, em grupos assaz numerosos, nada tinham de invasões, no sentido militar do termo, podendo, sim, considerar-se afuxos turísticos... embora mal compreendidos pelos indígenas lusitanos.
O nosso calisto atraso cultural já então se fazia sentir, pelo que, em vez de recebermos esses bárbaros com ramos de flores, bandas de música, galos de Barcelos e garrafinhas de Porto, crivámo-los de lançadas e frechadas, assim perdendo uma oportunidade, rara na antiguidade, de facturar umas notas e aprender algo com eles.
Era, aliás, tão grande esse atraso, que, mesmo que os tivéssemos entendido, não dispúnhamos de infraestrutura hoteleira capaz de os acolher. Nem metade!
Tempo de Antena
Numa tarde de domingo do mês passado vimos, na RTP, uma entrevista a dois representantes do Casino do Estoril em que provaram, com sólidos argumentos, que o novo casino que vão construir em Lisboa, tem, como objectivo promover a cultura! Ficámos admirados com o desperdício de tais argumentos. Se a construção do Casino estivesse ainda para ser decidida, seria lógico que os representantes do chinês Ho invocassem a «cultura», – que cai sempre bem no inculto Zé Povinho, – para fazer o negócio andar para a frente. Mas, como se sabe, neste momento a negociata está feita. É ponto assente que o casino, depois de ter andado em bolandas de local para local, vai ser construído à beira do Tejo. (Não se sabe que golpadas e conflitos de interesses estiveram envolvidos na escolha do local, mas isso também não adianta muito, agora, ao caso) O chinês Ho já o tem na mão. Ora um casino só tem uma função: dar lucro ao seu proprietário. Portanto, não é necessário invocar a cultura. Além de ridículo é uma perca de tempo. E de tempo de antena...
Numa tarde de domingo do mês passado vimos, na RTP, uma entrevista a dois representantes do Casino do Estoril em que provaram, com sólidos argumentos, que o novo casino que vão construir em Lisboa, tem, como objectivo promover a cultura! Ficámos admirados com o desperdício de tais argumentos. Se a construção do Casino estivesse ainda para ser decidida, seria lógico que os representantes do chinês Ho invocassem a «cultura», – que cai sempre bem no inculto Zé Povinho, – para fazer o negócio andar para a frente. Mas, como se sabe, neste momento a negociata está feita. É ponto assente que o casino, depois de ter andado em bolandas de local para local, vai ser construído à beira do Tejo. (Não se sabe que golpadas e conflitos de interesses estiveram envolvidos na escolha do local, mas isso também não adianta muito, agora, ao caso) O chinês Ho já o tem na mão. Ora um casino só tem uma função: dar lucro ao seu proprietário. Portanto, não é necessário invocar a cultura. Além de ridículo é uma perca de tempo. E de tempo de antena...
Terça-feira, Julho 01, 2003
O NAVIO BORDEL
As Nações Unidas fretaram um navio, encheram-no de miúdas dos dez aos quinze anos, recrutadas na Tailândia e treinadas para a prostituição, ancorando-o, finalmente, em Timor. Foi um presente aos timorenses para compensá-los de tanto terem levado nos cornos.
Infelizmente, esse Paraíso, nome com que foi baptizado pelos autóctones, não durou muito. A Comunicaçãoo Social, como é seu timbre, estragou tudo, quando começou a dar à dica, e a mama acabou-se (a«mama» no pior sentido da palavra). Desconhece-se o destino das jovens aprendizas de putas. Certamente foram vendidas na Indonésia ou na Tailândia, países cuja indústria turistica se baseia nestas actividades, pois ali acorrem, ao cheiro de carne fresca, milionários devassos (perdoem o pleonasmo) dos países ricos.
Para os timorenses, o barco O Paraíso foi uma dádiva fugaz de um qualquer deus dessas paragens, Jeová, Buda ou Alá.
Não se ficou a saber como funcionava a empresa. Quem empochava o cacau? Seriam as próprias Nações Unidas? Não nos admirava nada. A Comunicação Social, que tudo sabe e tudo conta, não deu pormenores. Levantou a lebre, estragou o negócio e fechou-se em copas. Desconhece-se mesmo o que faziam, exactamente, a miúdas, se bem que não é preciso ser um expert em pedofilia e deboche para imaginar.
Aquilo nasceu e morreu num breve instante, como a rosa de Malherbe.
De facto era bom demais para aqueles alarves timorenses.
As Nações Unidas fretaram um navio, encheram-no de miúdas dos dez aos quinze anos, recrutadas na Tailândia e treinadas para a prostituição, ancorando-o, finalmente, em Timor. Foi um presente aos timorenses para compensá-los de tanto terem levado nos cornos.
Infelizmente, esse Paraíso, nome com que foi baptizado pelos autóctones, não durou muito. A Comunicaçãoo Social, como é seu timbre, estragou tudo, quando começou a dar à dica, e a mama acabou-se (a«mama» no pior sentido da palavra). Desconhece-se o destino das jovens aprendizas de putas. Certamente foram vendidas na Indonésia ou na Tailândia, países cuja indústria turistica se baseia nestas actividades, pois ali acorrem, ao cheiro de carne fresca, milionários devassos (perdoem o pleonasmo) dos países ricos.
Para os timorenses, o barco O Paraíso foi uma dádiva fugaz de um qualquer deus dessas paragens, Jeová, Buda ou Alá.
Não se ficou a saber como funcionava a empresa. Quem empochava o cacau? Seriam as próprias Nações Unidas? Não nos admirava nada. A Comunicação Social, que tudo sabe e tudo conta, não deu pormenores. Levantou a lebre, estragou o negócio e fechou-se em copas. Desconhece-se mesmo o que faziam, exactamente, a miúdas, se bem que não é preciso ser um expert em pedofilia e deboche para imaginar.
Aquilo nasceu e morreu num breve instante, como a rosa de Malherbe.
De facto era bom demais para aqueles alarves timorenses.