Domingo, Outubro 24, 2004
Terça-feira, Julho 20, 2004
Para estas «eleições» já não há nada a fazer. Os eleitores nem sequer tiveram o trabalho de sair de casa para irem depositar o seu voto. Tudo se resolveu da melhor forma: o dr. Santana vestiu o seu fato novo, pôs gravata e foi, de automóvel, até Belém onde já o esperava o dr. Sampaio, sentado num confortável sofá. Tiveram uma conversa de circunstância, certamente falaram do calor que se faz sentir, lamentaram os devastadores incêndios, beberam um whisky e pronto, a «eleição» estava consumada. À despedida, o dr. Sampaio ainda disse, para dizer alguma coisa: «Mas veja lá, ó Santana Lopes, olhe que eu fico de olho em si.» O Lopes riu da bela piada presidencial e lá foi todo lampeiro meter-se no automóvel que o levou a S. Bento, à casa tanto tempo habitada por Salazar que ainda lá deambula o seu fantasma. O Lopes achou aquele interior lúgubre e deprimente. «O fantasma não me preocupa muito, – pensou – mas o que eu não suporto é este pivete a D. Maria. As minhas mulheres não têm este cheiro. Tenho de mandar desinfectar esta merda.»
Jamais houve em Portugal eleições tão simples, cómodas e civilizadas!
As próximas Presidenciais, Legislativas ou Autárquicas, já não serão tão civilizadas nem cómodas. Os políticos terão de vergar a mola e sujeitar-se a difíceis e sujos trabalhos para vender o seu peixe.
Os líderes partidários, fazendo das tripas coração, terão de visitar os velhos mercados e outros locais pouco recomendáveis.
Uma vez lá dentro, resistem como podem aos escamosos amplexos das peixeiras, ao horrível bedum dos magarefes, aos putos cagados e ranhosos, ao corpo-a-corpo com velhas mijonas e desdentadas. Os dividendos vêm depois.
O Político com maiúscula necessita de grande estofo e um bom estômago, como foi, por exemplo, o caso do dr. Portas que há anos deu um notável exemplo de amor à tarefa de caçar o eleitorado. Tantas peixeiras abraçou que ainda hoje cheira a peixe. Grande senhor do jet-set, vivendo em ambientes requintados, passeando-se de Jaguar... quando despia o casaco para filar o eleitor, fazia-o com uma bravura e uma determinação que só visto. Era homem para beijar e abraçar, demoradamente, uma mal cheirosa fabricante de queijos, enquanto lhe ouvia e as húmidas lamúrias e reclamações. Ou para entrar na mais imunda das tascas e beber copos com um grupo de bêbados, cujo pivete chegava ao outro lado da rua.
Desses feitos e outros que tais, ele ficou como exemplo e não se tem dado nada mal com o sistema pois já ganhou quase todos os cargos que um político pode ambicionar.
É para este exemplo que chamamos a atenção de todos candidatos às próximas eleições, que não serão ganhas assim à sorrelfa como foram estas. Não podem ficar-se com as jantaradas nos restaurantes de luxo nem em conversas, na televisão, com as belas e bem cheirosas entrevistadoras.
É preciso fossar um pouco na merda.
Jamais houve em Portugal eleições tão simples, cómodas e civilizadas!
As próximas Presidenciais, Legislativas ou Autárquicas, já não serão tão civilizadas nem cómodas. Os políticos terão de vergar a mola e sujeitar-se a difíceis e sujos trabalhos para vender o seu peixe.
Os líderes partidários, fazendo das tripas coração, terão de visitar os velhos mercados e outros locais pouco recomendáveis.
Uma vez lá dentro, resistem como podem aos escamosos amplexos das peixeiras, ao horrível bedum dos magarefes, aos putos cagados e ranhosos, ao corpo-a-corpo com velhas mijonas e desdentadas. Os dividendos vêm depois.
O Político com maiúscula necessita de grande estofo e um bom estômago, como foi, por exemplo, o caso do dr. Portas que há anos deu um notável exemplo de amor à tarefa de caçar o eleitorado. Tantas peixeiras abraçou que ainda hoje cheira a peixe. Grande senhor do jet-set, vivendo em ambientes requintados, passeando-se de Jaguar... quando despia o casaco para filar o eleitor, fazia-o com uma bravura e uma determinação que só visto. Era homem para beijar e abraçar, demoradamente, uma mal cheirosa fabricante de queijos, enquanto lhe ouvia e as húmidas lamúrias e reclamações. Ou para entrar na mais imunda das tascas e beber copos com um grupo de bêbados, cujo pivete chegava ao outro lado da rua.
Desses feitos e outros que tais, ele ficou como exemplo e não se tem dado nada mal com o sistema pois já ganhou quase todos os cargos que um político pode ambicionar.
É para este exemplo que chamamos a atenção de todos candidatos às próximas eleições, que não serão ganhas assim à sorrelfa como foram estas. Não podem ficar-se com as jantaradas nos restaurantes de luxo nem em conversas, na televisão, com as belas e bem cheirosas entrevistadoras.
É preciso fossar um pouco na merda.
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
PÉROLAS DE CULTURA
Venus era uma deusa maneta que viveu na Mitologia.
Entre os cientistas mais famosos do século XIX, destacam-se: Pasteur, que inventou a raiva; Koch, criador do bacilo da tuberculose; e Madame Curie, que descobriu a radiodifusão.
Depois do 5 de Outubro, os reis de Portugal passaram a chamar-se «presidentes da República».
Robespierre era um terrorista da esquerda que passou à história com o nome de «O Terror».
A Pérsia tornou-se famosa, antes de Khomeny, pelos seus tapetes e gatos siameses.
Eduardo III não foi rei de França porque sua mãe era uma mulher, o que estava em desacordo com a «Lei Sálica».
Volt, voltagem e voltímetro são palavras com origem no nome de Voltaire, o grande sábio francês que inventou a electricidade.
Os cavalos de Tróia foram a raça cavalar mais em voga durante a alta antiguidade.
Garibaldi, à frente do seu exército revolucionário, violou o Papa e as Duas Cecílias.
Enterrados sob o Arco do Triunfo, repousam, lado a lado, Napoleão e a Marselhesa.
Venus era uma deusa maneta que viveu na Mitologia.
Entre os cientistas mais famosos do século XIX, destacam-se: Pasteur, que inventou a raiva; Koch, criador do bacilo da tuberculose; e Madame Curie, que descobriu a radiodifusão.
Depois do 5 de Outubro, os reis de Portugal passaram a chamar-se «presidentes da República».
Robespierre era um terrorista da esquerda que passou à história com o nome de «O Terror».
A Pérsia tornou-se famosa, antes de Khomeny, pelos seus tapetes e gatos siameses.
Eduardo III não foi rei de França porque sua mãe era uma mulher, o que estava em desacordo com a «Lei Sálica».
Volt, voltagem e voltímetro são palavras com origem no nome de Voltaire, o grande sábio francês que inventou a electricidade.
Os cavalos de Tróia foram a raça cavalar mais em voga durante a alta antiguidade.
Garibaldi, à frente do seu exército revolucionário, violou o Papa e as Duas Cecílias.
Enterrados sob o Arco do Triunfo, repousam, lado a lado, Napoleão e a Marselhesa.
A PAPISA JOANA
No século XI, morto o Papa LEÃO IV, ocorreu uma das maiores broncas da história da Igreja com a subida ao sólio pontifício da papisa JOANA, que, além de mulher e (ao que dizem) um belo pedaço, era bastante dada à cambalhota. Após uma vida aventureira, JOANA ascendeu ao mais alto grau da dignidade eclesiástica e governou a cristandade durante dois anos, sempre disfarçada de homem e tomando nome de João VIII, mas acabou por ser desmascarada em circunstâncias dramáticas. Grávida de um jovem cardeal, morreu com as dores do parto no meio duma cerimónia religiosa, dando à luz uma criança que os padres, que a rodeavam, logo ali estrangularam, para não perder tempo, enterrando-a secretamente com a mãe. Uma bela escandaleira, como se calcula... E que, entre outras consequências, deu origem à famigerada «prova da cadeira furada» a que se prestaram os futuros papas, antes da consagração, sentando-se na referida cadeira com as pernas abertas e os hábitos pontificais desabotoados, a fim de mostrar aos bispos e cardeais presentes a prova da sua virilidade. Depois de dois diáconos (1) terem apalpado o pénis e os testículos do candidato – assegurando, através do tacto, que os olhos não eram iludidos – davam testemunho aos presentes proclamando em voz alta: «Temos papa!»; ao que os altos dignitários respondiam : «Deo gratias».
(1) maricas, supomos.
No século XI, morto o Papa LEÃO IV, ocorreu uma das maiores broncas da história da Igreja com a subida ao sólio pontifício da papisa JOANA, que, além de mulher e (ao que dizem) um belo pedaço, era bastante dada à cambalhota. Após uma vida aventureira, JOANA ascendeu ao mais alto grau da dignidade eclesiástica e governou a cristandade durante dois anos, sempre disfarçada de homem e tomando nome de João VIII, mas acabou por ser desmascarada em circunstâncias dramáticas. Grávida de um jovem cardeal, morreu com as dores do parto no meio duma cerimónia religiosa, dando à luz uma criança que os padres, que a rodeavam, logo ali estrangularam, para não perder tempo, enterrando-a secretamente com a mãe. Uma bela escandaleira, como se calcula... E que, entre outras consequências, deu origem à famigerada «prova da cadeira furada» a que se prestaram os futuros papas, antes da consagração, sentando-se na referida cadeira com as pernas abertas e os hábitos pontificais desabotoados, a fim de mostrar aos bispos e cardeais presentes a prova da sua virilidade. Depois de dois diáconos (1) terem apalpado o pénis e os testículos do candidato – assegurando, através do tacto, que os olhos não eram iludidos – davam testemunho aos presentes proclamando em voz alta: «Temos papa!»; ao que os altos dignitários respondiam : «Deo gratias».
(1) maricas, supomos.
ACONTECEU EM FEVEREIRO
2 de Fevereiro de 1938
- Dá a sua primeira queca, numa casa de putas de Krakow, o jovem Karol Wojtila, que viria a ser o papa João Paulo II. Tendo-se rompido a camisa de Venus, que nesse tempo eram fabricadas pela Michelin, ficou tão traumatizado, com receio de apanhar uma blenorragia, que não só nunca mais fodeu com camisa como proibiu esse artefacto a todos os católicos, proibição que ainda hoje se mantém.
4 de Fevereiro de 1872
- Maria Severa completa 15 anos e a madrinha põe-na a fazer o trottoir entre a rua da Palma e o Intendente.
5 de Fevereiro de 1930
- O Beato Padre Cruz faz o seu primeiro milagre, conseguindo que o rápido Lisboa Porto, onde viaja, chegue à tabela a S. Bento.
6 de Fevereiro de 1993
- A conhecida astróloga Maya prevê, com dez anos de antecedência, que prestigiadas figuras do nosso jetset seriam incomodados pela polícia por causa dos prostitutos da Casa Pia.
8 de Fevereiro de 1148
- Entra em Lisboa e começa a frequentar os bares do Cais do Sodré, um playboy nortenho de nome Afonso Henriques que, entre as raparigas, ficou conhecido por «O Conquistador».
12 de Fevereiro de 1939
- Na presença do Prof. Salazar, é cantada, em S. Bento, pelas alunas do Liceu Maria Amália, a hilariante marcha da Mocidade Portuguesa «Lá Vamos Cantando e Rindo», que também faz rir o sisudo ditador.
15 de Fevereiro de 1385
- Seis séculos antes de Pinto da Costa, o grande Nuno Álvares Pereira consegue seleccionar e mentalizar a sua equipa e vence brilhantemente os espanhóis em Aljubarrota.
17 de Fevereiro de 1412
- Depois de um violento assédio sexual, Romeu consegue meter-se na cama de Julieta, tirando-lhe os três, com grande desgosto das famílias de ambos. Mal imaginavam os jovens amantes que essa foda lhes iria custar a própria vida.
20 de Fevereiro dé 2.285 (antes de Cristo)
- Tur-Akon, faraó do Egipto, tem o famoso sonho das vacas magras e das vacas loucas.
21 de Fevereiro de 1928
- Eva Duarte, conhecida como Evita, vai para a cama, pela primeira vez, com o coronel Juan Perón numa casa de putas de Los Toldos e pega-lhe uma camada de chatos argentinos, os mais assanhados da América do Sul.
26 de Fevereiro de 1940
- È atribuido a Adolfo Hitler, pela sua justa luta contra o imperialismo judeu, o «Prémio Lenine da Paz»
2 de Fevereiro de 1938
- Dá a sua primeira queca, numa casa de putas de Krakow, o jovem Karol Wojtila, que viria a ser o papa João Paulo II. Tendo-se rompido a camisa de Venus, que nesse tempo eram fabricadas pela Michelin, ficou tão traumatizado, com receio de apanhar uma blenorragia, que não só nunca mais fodeu com camisa como proibiu esse artefacto a todos os católicos, proibição que ainda hoje se mantém.
4 de Fevereiro de 1872
- Maria Severa completa 15 anos e a madrinha põe-na a fazer o trottoir entre a rua da Palma e o Intendente.
5 de Fevereiro de 1930
- O Beato Padre Cruz faz o seu primeiro milagre, conseguindo que o rápido Lisboa Porto, onde viaja, chegue à tabela a S. Bento.
6 de Fevereiro de 1993
- A conhecida astróloga Maya prevê, com dez anos de antecedência, que prestigiadas figuras do nosso jetset seriam incomodados pela polícia por causa dos prostitutos da Casa Pia.
8 de Fevereiro de 1148
- Entra em Lisboa e começa a frequentar os bares do Cais do Sodré, um playboy nortenho de nome Afonso Henriques que, entre as raparigas, ficou conhecido por «O Conquistador».
12 de Fevereiro de 1939
- Na presença do Prof. Salazar, é cantada, em S. Bento, pelas alunas do Liceu Maria Amália, a hilariante marcha da Mocidade Portuguesa «Lá Vamos Cantando e Rindo», que também faz rir o sisudo ditador.
15 de Fevereiro de 1385
- Seis séculos antes de Pinto da Costa, o grande Nuno Álvares Pereira consegue seleccionar e mentalizar a sua equipa e vence brilhantemente os espanhóis em Aljubarrota.
17 de Fevereiro de 1412
- Depois de um violento assédio sexual, Romeu consegue meter-se na cama de Julieta, tirando-lhe os três, com grande desgosto das famílias de ambos. Mal imaginavam os jovens amantes que essa foda lhes iria custar a própria vida.
20 de Fevereiro dé 2.285 (antes de Cristo)
- Tur-Akon, faraó do Egipto, tem o famoso sonho das vacas magras e das vacas loucas.
21 de Fevereiro de 1928
- Eva Duarte, conhecida como Evita, vai para a cama, pela primeira vez, com o coronel Juan Perón numa casa de putas de Los Toldos e pega-lhe uma camada de chatos argentinos, os mais assanhados da América do Sul.
26 de Fevereiro de 1940
- È atribuido a Adolfo Hitler, pela sua justa luta contra o imperialismo judeu, o «Prémio Lenine da Paz»
Nos últimos tempos tem-se assistido a uma subida progressiva das minissaias e a uma descida dos decotes.
Nos últimos tempos as estatísticas dizem-nos que há cada vez mais mortes por ataques cardíacos.
Terão, estes dois factos, relação entre si?
Nos últimos tempos as estatísticas dizem-nos que há cada vez mais mortes por ataques cardíacos.
Terão, estes dois factos, relação entre si?
A RETOMA
Se o senhor Durão Barroso acreditasse em Deus e fosse católico praticante, poderíamos ainda ter esperança de que a tão falada Retoma Económica nos fosse servida, de bandeja, pelo Todo Poderoso.
Infelizmente isso não acontece por ele ser ateu, mesmo que vá a Roma lamber a mão ao Sumo Pontífice. Pode enganar o Papa com o seu patuá, mas Deus não se deixa enganar tão facilmente.
Se o senhor Durão Barroso acreditasse em Deus e fosse católico praticante, poderíamos ainda ter esperança de que a tão falada Retoma Económica nos fosse servida, de bandeja, pelo Todo Poderoso.
Infelizmente isso não acontece por ele ser ateu, mesmo que vá a Roma lamber a mão ao Sumo Pontífice. Pode enganar o Papa com o seu patuá, mas Deus não se deixa enganar tão facilmente.
COMO É QUE AINDA TEMOS VONTADE DE FORNICAR?
Com a passagem da ditadura à democracia, os portugueses evoluiram muito. Em especial no que toca à desinibição e às amplas liberdades sexuais. Pode dizer-se, sem risco de errar, que, apesar do cagaço da sida, os portugueses fornicam 10 vezes mais do que antes do 25 de Abril e sem que tal aumento tenha a ver com um reforço das relações conjugais. Bem pelo contrário, já que o matrimónio é uma instituição em crise. Agora já não se fode a legítima. Agora, fode-se com o patrão, com os colegas de escola ou de escritório, com os namorados e os ex-namorados, com o patrão, com os amigos do marido ou as amigas da mulher, com o vizinho ou a vizinha do lado, com o tipo que se encosta no autocarro, com a gaja que nos exibe o coxame, no café.
Até na missa se engata para ir foder.
Nesse aspecto, estamos, pois, à vontade e nada invejamos aos nossos parceiros comunitários... mas há um mistério, no meio disto, que bem gostávamos de entender: como é que, ganhando nós metade do que ganha um grego, 3 vezes menos do que um espanhol, 6 vezes menos do que um francês e 7 a 10 vezes menos do que um alemão, um suíço ou um dinamarquês; como é que, reduzidos a tal miséria e indignidade... ainda nos sobra vigor e vontade para fornicar?
Com a passagem da ditadura à democracia, os portugueses evoluiram muito. Em especial no que toca à desinibição e às amplas liberdades sexuais. Pode dizer-se, sem risco de errar, que, apesar do cagaço da sida, os portugueses fornicam 10 vezes mais do que antes do 25 de Abril e sem que tal aumento tenha a ver com um reforço das relações conjugais. Bem pelo contrário, já que o matrimónio é uma instituição em crise. Agora já não se fode a legítima. Agora, fode-se com o patrão, com os colegas de escola ou de escritório, com os namorados e os ex-namorados, com o patrão, com os amigos do marido ou as amigas da mulher, com o vizinho ou a vizinha do lado, com o tipo que se encosta no autocarro, com a gaja que nos exibe o coxame, no café.
Até na missa se engata para ir foder.
Nesse aspecto, estamos, pois, à vontade e nada invejamos aos nossos parceiros comunitários... mas há um mistério, no meio disto, que bem gostávamos de entender: como é que, ganhando nós metade do que ganha um grego, 3 vezes menos do que um espanhol, 6 vezes menos do que um francês e 7 a 10 vezes menos do que um alemão, um suíço ou um dinamarquês; como é que, reduzidos a tal miséria e indignidade... ainda nos sobra vigor e vontade para fornicar?
SAUDADE DAS CASAS DE PUTAS
Há dias a televisão mostrou mais uma eleição de misses e as meninas lá surgiram exibindo as suas carnes todas parecidas umas com as outras e sem nada de especial para o conhecedor exigente.
Embora sem qualquer interesse, quer estético, quer erótico, este programa teve, pelo menos uma coisa a seu favor: lembrou-nos as velhas casas de putas de antigamente.
Quem é que – sendo desse tempo e vendo agora desfilar umas gajinhas insípidas, a quem não apetecia dar sequer uma foda rápida – se não recorda do ambiente típico, castiço, dessas antigas casas, monumentos ao sexo e que vendiam produto de boa qualidade, diversificado, para todos os gostos?
Ali não se impingia gato por lebre. Era impossível. O cliente cheirava, apalpava, tirava a prova. E se era enganado não voltava tão depressa enquanto o mercado lhe oferecesse artigo de melhor qualidade. E Lisboa tinha muito por onde escolher, desde o famoso 100 da Rua do Mundo (com preços diferentes no 1 ° e 2° andares) até à Madame Blanche na Rua da Glória (cona, cu e broche), passando pelo 142 da Rua Diário de Notícias, o 5 da Rua da Barroca, o 8 da Travessa da Água da Flor, a Madame Calado, ao Rossio, casa fina e cara (onde iam os ministros e directores gerais), até às casas no Intendente, na Mouraria (para operários) na Rua Luciano Cordeiro (para mangas de alpaca)... e por aí a fora.
Recordamos a respeitabilidade, a ordem burguesa ali pontificando. Eram lugares sacralizados, com tradições e cerimonial mantidos a preceito: as boas vindas, denunciando a categoria do cliente, o bater das palmas com que a «patroa» ordenava «Meninas à sala», a expectativa gerada nos clientes, finalmente o desfile. Lá vinham elas, em fila indiana, exibindo as suas coxas e as suas mamas, fazendo as poses que mais lhe favoreciam os encantos, recebendo elogios da «patroa» que ia sublinhando a firmeza da mama, o aveludado da pele, a perfeição da coxa, o roliço da anca.
E os apresentadores destes modernos desfiles de mulheres, na TV, que são os concursos de beleza, que é que elogiam? Nada. Afinal eles não podem sublinhar nenhum atractivo, nenhuma diferença, porque elas, misses, são todas iguais: como que de plástico. Nem sequer realçam as qualidades profissionais das meninas. O cliente (espectador) não fica a conhecer as suas habilidades sexuais, os gostos, o temperamento, as taras na cama. Quando muito dizem que a menina gosta de cinema, de andar a cavalo, de ver televisão e que o seu sonho é ser modelo. Ora bolas.
Outro senão nestes desfiles de misses é que nunca se fala em preços – coisa que nas velhas casa de putas era primordial. Jogava-se limpo. O cliente não podia queixar-se de ter sido enganado.
E, enquanto que estas misses dos desfiles são todas iguais, estereotipadas, copiadas a papel químico, nas velhas casas de tias havia para todos os gostos: gordas e magras, altas e baixas, novas e velhas, até zarolhas, coxas e desdentadas. Enfim, o cliente, por mais exigente (e depravado) que fosse, tinha por onde escolher. Não havia tara que o cliente tivesse, por mais insólito e extravagante, que não tivesse ali o seu contraponto.
Estes reparos não visam desencorajar os concursos de beleza da TV. De modo algum. O que é preciso é introduzir-lhe outra dinâmica, como agora se diz. Que o ambiente seja recriado com mais realismo e com alguém que desempenhe convincentemente o papel de «patroa». Que tenha imaginação e saiba pôr o produto em evidência.
Não, leitor, isto não é sentimentalismo gagá nem libidinosa morbidez. Os velhos bordeis são património e fazê-los reviver para os jovens, que já os encontraram fechados por um controverso decreto-lei é um acto de cultura.
Daí que tanto nos empenhemos, atrevendo-nos a sugerir um nome: por que não convidar a imaginosa e dinâmica Tereza Guilherme para futuras apresentações das misses na TV ? Ela, melhor do que ninguém, desempenharia a preceito a rábula das antigas «patroas», com o Herman José a fazer o papel daquela bichona que havia sempre nas casas de putas a levar ao quarto os paninhos e o jarro de água quente para o bidé. A Tereza conhece o artigo como poucas, daria boa conta do encargo. Pois, a sugerir cenas eróticas, taras invulgares, posiçõs que nem o Kamasutra ou o Marquês de Sade, não conhecemos melhor. Os espectadores agradeceriam e a televisão empochava mais umas massas, que é o que querem os patronos do Canais TV.
Há dias a televisão mostrou mais uma eleição de misses e as meninas lá surgiram exibindo as suas carnes todas parecidas umas com as outras e sem nada de especial para o conhecedor exigente.
Embora sem qualquer interesse, quer estético, quer erótico, este programa teve, pelo menos uma coisa a seu favor: lembrou-nos as velhas casas de putas de antigamente.
Quem é que – sendo desse tempo e vendo agora desfilar umas gajinhas insípidas, a quem não apetecia dar sequer uma foda rápida – se não recorda do ambiente típico, castiço, dessas antigas casas, monumentos ao sexo e que vendiam produto de boa qualidade, diversificado, para todos os gostos?
Ali não se impingia gato por lebre. Era impossível. O cliente cheirava, apalpava, tirava a prova. E se era enganado não voltava tão depressa enquanto o mercado lhe oferecesse artigo de melhor qualidade. E Lisboa tinha muito por onde escolher, desde o famoso 100 da Rua do Mundo (com preços diferentes no 1 ° e 2° andares) até à Madame Blanche na Rua da Glória (cona, cu e broche), passando pelo 142 da Rua Diário de Notícias, o 5 da Rua da Barroca, o 8 da Travessa da Água da Flor, a Madame Calado, ao Rossio, casa fina e cara (onde iam os ministros e directores gerais), até às casas no Intendente, na Mouraria (para operários) na Rua Luciano Cordeiro (para mangas de alpaca)... e por aí a fora.
Recordamos a respeitabilidade, a ordem burguesa ali pontificando. Eram lugares sacralizados, com tradições e cerimonial mantidos a preceito: as boas vindas, denunciando a categoria do cliente, o bater das palmas com que a «patroa» ordenava «Meninas à sala», a expectativa gerada nos clientes, finalmente o desfile. Lá vinham elas, em fila indiana, exibindo as suas coxas e as suas mamas, fazendo as poses que mais lhe favoreciam os encantos, recebendo elogios da «patroa» que ia sublinhando a firmeza da mama, o aveludado da pele, a perfeição da coxa, o roliço da anca.
E os apresentadores destes modernos desfiles de mulheres, na TV, que são os concursos de beleza, que é que elogiam? Nada. Afinal eles não podem sublinhar nenhum atractivo, nenhuma diferença, porque elas, misses, são todas iguais: como que de plástico. Nem sequer realçam as qualidades profissionais das meninas. O cliente (espectador) não fica a conhecer as suas habilidades sexuais, os gostos, o temperamento, as taras na cama. Quando muito dizem que a menina gosta de cinema, de andar a cavalo, de ver televisão e que o seu sonho é ser modelo. Ora bolas.
Outro senão nestes desfiles de misses é que nunca se fala em preços – coisa que nas velhas casa de putas era primordial. Jogava-se limpo. O cliente não podia queixar-se de ter sido enganado.
E, enquanto que estas misses dos desfiles são todas iguais, estereotipadas, copiadas a papel químico, nas velhas casas de tias havia para todos os gostos: gordas e magras, altas e baixas, novas e velhas, até zarolhas, coxas e desdentadas. Enfim, o cliente, por mais exigente (e depravado) que fosse, tinha por onde escolher. Não havia tara que o cliente tivesse, por mais insólito e extravagante, que não tivesse ali o seu contraponto.
Estes reparos não visam desencorajar os concursos de beleza da TV. De modo algum. O que é preciso é introduzir-lhe outra dinâmica, como agora se diz. Que o ambiente seja recriado com mais realismo e com alguém que desempenhe convincentemente o papel de «patroa». Que tenha imaginação e saiba pôr o produto em evidência.
Não, leitor, isto não é sentimentalismo gagá nem libidinosa morbidez. Os velhos bordeis são património e fazê-los reviver para os jovens, que já os encontraram fechados por um controverso decreto-lei é um acto de cultura.
Daí que tanto nos empenhemos, atrevendo-nos a sugerir um nome: por que não convidar a imaginosa e dinâmica Tereza Guilherme para futuras apresentações das misses na TV ? Ela, melhor do que ninguém, desempenharia a preceito a rábula das antigas «patroas», com o Herman José a fazer o papel daquela bichona que havia sempre nas casas de putas a levar ao quarto os paninhos e o jarro de água quente para o bidé. A Tereza conhece o artigo como poucas, daria boa conta do encargo. Pois, a sugerir cenas eróticas, taras invulgares, posiçõs que nem o Kamasutra ou o Marquês de Sade, não conhecemos melhor. Os espectadores agradeceriam e a televisão empochava mais umas massas, que é o que querem os patronos do Canais TV.
Nada melhor para manter a felicidade
conjugal do que cometer adultério.
Esta tese que há muito vimos defendendo nos nossos escritos, mas que ninguém toma a sério por nos faltar um mínimo de credibilidade, é agora defendida por estudiosos de prestígio,
Chegaram, finalmente, à conclusão de que as facadas no matrimónio o defendem e solidificam (alem de proporcionarem gozos adicionais apreciáveis, acrescentamos nós). Que foder outra mulher é, por vezes, a única saída para uma situação de impasse conjugal, dado o perigo que representa para a nossa saúde mental viver na monotonia amorosa. Ter amante ou amantes, em alternativa ao divórcio e abandono do lar, é uma prova de amor à sua mulher e de fidelidade ao seu casamento. A figura do «fiel-infiel» ganha assim a dimensão que merece e sempre lhe foi negada.
É claro que isto pode estar em conflito com os costumes e a (i)moralidade vigente mas a verdade é que o casamento raras vezes é abalado pelo adultério. Pelo contrário: quase sempre é rejuvenescido.
Importante, também, é que a mulher dê passos seguros nesse sentido; que vá foder com outro (ou outros), quando já não lhe apeteça fazê-lo com o marido, e que isso não aconteça por vício (a despeito do prazer adquirido em tal prática, lembramos) mas porque, sendo o amor necessário à vida, a infidelidade se imponha como única opção para que o casamento não vá por água abaixo.
E quando as coisas se passam entre pessoas civilizadas, sem preconceitos e capazes de assumir, a dois, uma crise conjugal em processo de agravamento, melhor ainda. Para evitar a penosa separação e a perda de um amor talvez insubstituível, a solução (evidente!) é cada um ir fornicar para o seu lado, sem as mentiras nem a hipocrisia das escapadelas. Quando se atinge este grau de entendimento, o casal está finalmente preparado para uma vida sem equívocos, agressões e traumas afectivos.
E, de vez em quando, se a coisa apetecer, até podem dar uma queca que não lhes fará mal nenhum, desde que essa queca não altere o «stato quo».
conjugal do que cometer adultério.
Esta tese que há muito vimos defendendo nos nossos escritos, mas que ninguém toma a sério por nos faltar um mínimo de credibilidade, é agora defendida por estudiosos de prestígio,
Chegaram, finalmente, à conclusão de que as facadas no matrimónio o defendem e solidificam (alem de proporcionarem gozos adicionais apreciáveis, acrescentamos nós). Que foder outra mulher é, por vezes, a única saída para uma situação de impasse conjugal, dado o perigo que representa para a nossa saúde mental viver na monotonia amorosa. Ter amante ou amantes, em alternativa ao divórcio e abandono do lar, é uma prova de amor à sua mulher e de fidelidade ao seu casamento. A figura do «fiel-infiel» ganha assim a dimensão que merece e sempre lhe foi negada.
É claro que isto pode estar em conflito com os costumes e a (i)moralidade vigente mas a verdade é que o casamento raras vezes é abalado pelo adultério. Pelo contrário: quase sempre é rejuvenescido.
Importante, também, é que a mulher dê passos seguros nesse sentido; que vá foder com outro (ou outros), quando já não lhe apeteça fazê-lo com o marido, e que isso não aconteça por vício (a despeito do prazer adquirido em tal prática, lembramos) mas porque, sendo o amor necessário à vida, a infidelidade se imponha como única opção para que o casamento não vá por água abaixo.
E quando as coisas se passam entre pessoas civilizadas, sem preconceitos e capazes de assumir, a dois, uma crise conjugal em processo de agravamento, melhor ainda. Para evitar a penosa separação e a perda de um amor talvez insubstituível, a solução (evidente!) é cada um ir fornicar para o seu lado, sem as mentiras nem a hipocrisia das escapadelas. Quando se atinge este grau de entendimento, o casal está finalmente preparado para uma vida sem equívocos, agressões e traumas afectivos.
E, de vez em quando, se a coisa apetecer, até podem dar uma queca que não lhes fará mal nenhum, desde que essa queca não altere o «stato quo».
PEDOFILIA
Numa aldeia perdida entre as serras de Trás-os-Montes, o silêncio da tarde foi cortado por gemidos que vinham de uma das poucas casas que compunham o povoado. Uma vizinha aproximou-se, entreabriu a porta, entrou e ficou estarrecida com o espectáculo.
Aos seus gritos de socorro acudiram várias pessoas, que ainda viram uma menina de 14 anos, não mais, debaixo de um facínora, de calças abaixadas. O delito era evidente. Mais tarde, uma brigada da GNR deteve o «energúmeno».
Claro que é absolutamente indigno de um homem (um marmanjo de 30 anos ou mais) andar a comer uma menina de tão tenra idade, embora ela já tivesse belas maminhas e outros não menos apetecíveis predicados – sobre isso, todos de acordo. E, se quisermos ser ponderados e justos, devemos ter em conta certas atenuantes. Tais como:
1 - que um indivíduo desempregado e em nefasta ociosidade, tem necessidade de ocupar o tempo com alguma coisa – aí, a responsabilidade cabe, portanto, ao surto de desemprego que assola o País; à D. Manuela e ao Bagão, em última análise
2 - que a falta de trabalho não implica falta de tusa, mas quase sempre falta de massas. Ora, como sem massas nãohá putas, compreende-se que um desempregado sem escrúpulos e dominado pelos mais baixos instintos seja capaz de tal abominação para os satisfazer;
3 - que a D. Manuela só tem mandado os portugueses apertar o cinto. Não os manda apertar a braguilha;
4 - que a miúda em questão, interrogada sobre as razões porque não se opôs, fugiu ou gritou, declarou, com certo à-vontade, já estar habituada a tais arremetidas, que até lhe davam um certo gozo... «Quer dizer que já foste muitas vezes abusada?» – «Não, abusada nunca fui. Graças a Deus só tenho sido usada»;
5 - que sempre houve tarados por borrachinhos e nem todos os que foram apanhados a comê-los acabaram presos e taxados de «energúmenos». Por vezes continuaram a desempenhar altos cargos (ministros, deputados, jornalistas, médicos, diplomatas, etc), como tem sido abundantemente noticiado pela TV.
6 -. que, ultimamente, os órgãos de comunicação social não se têm ocupado de outro assunto, o que pode ter influenciado o pobre «energúmeno» de Trás-os-Montes que também quis ver como era. Teve foi azar.
7 - No meio disto tudo só devemos enaltecer a boa acção da diligente vizinha que deu o alarme, pondo termo à rebaldaria que ia na casa do lado. Se houvesse muitas e muitos como ela, não teríamos chegado a este estado de perdição em que o País está submerso... e tem feito esquecer o ciclo de miséria que o Povo atravessa.
Numa aldeia perdida entre as serras de Trás-os-Montes, o silêncio da tarde foi cortado por gemidos que vinham de uma das poucas casas que compunham o povoado. Uma vizinha aproximou-se, entreabriu a porta, entrou e ficou estarrecida com o espectáculo.
Aos seus gritos de socorro acudiram várias pessoas, que ainda viram uma menina de 14 anos, não mais, debaixo de um facínora, de calças abaixadas. O delito era evidente. Mais tarde, uma brigada da GNR deteve o «energúmeno».
Claro que é absolutamente indigno de um homem (um marmanjo de 30 anos ou mais) andar a comer uma menina de tão tenra idade, embora ela já tivesse belas maminhas e outros não menos apetecíveis predicados – sobre isso, todos de acordo. E, se quisermos ser ponderados e justos, devemos ter em conta certas atenuantes. Tais como:
1 - que um indivíduo desempregado e em nefasta ociosidade, tem necessidade de ocupar o tempo com alguma coisa – aí, a responsabilidade cabe, portanto, ao surto de desemprego que assola o País; à D. Manuela e ao Bagão, em última análise
2 - que a falta de trabalho não implica falta de tusa, mas quase sempre falta de massas. Ora, como sem massas nãohá putas, compreende-se que um desempregado sem escrúpulos e dominado pelos mais baixos instintos seja capaz de tal abominação para os satisfazer;
3 - que a D. Manuela só tem mandado os portugueses apertar o cinto. Não os manda apertar a braguilha;
4 - que a miúda em questão, interrogada sobre as razões porque não se opôs, fugiu ou gritou, declarou, com certo à-vontade, já estar habituada a tais arremetidas, que até lhe davam um certo gozo... «Quer dizer que já foste muitas vezes abusada?» – «Não, abusada nunca fui. Graças a Deus só tenho sido usada»;
5 - que sempre houve tarados por borrachinhos e nem todos os que foram apanhados a comê-los acabaram presos e taxados de «energúmenos». Por vezes continuaram a desempenhar altos cargos (ministros, deputados, jornalistas, médicos, diplomatas, etc), como tem sido abundantemente noticiado pela TV.
6 -. que, ultimamente, os órgãos de comunicação social não se têm ocupado de outro assunto, o que pode ter influenciado o pobre «energúmeno» de Trás-os-Montes que também quis ver como era. Teve foi azar.
7 - No meio disto tudo só devemos enaltecer a boa acção da diligente vizinha que deu o alarme, pondo termo à rebaldaria que ia na casa do lado. Se houvesse muitas e muitos como ela, não teríamos chegado a este estado de perdição em que o País está submerso... e tem feito esquecer o ciclo de miséria que o Povo atravessa.
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
DOS MACACOS QUE FOMOS AOS MACACOS QUE SOMOS
Ainda hoje se desconhece quanto tempo passou desde que uns macacoides, levantadas as patas da frente, se assumiram como seres pensantes. Numa coisa, porém, os antropólogos estão de acordo: foram muitos (mas muitos) e penosos milénios.
O que representa tantos dias e noites que nos deixa perplexos. Porque, por mais problemas que o homem tenha encontrado pela frente, a sua cabeça devia estar bem mais arrumada do que está – em rigor, devia ser outra e não a que traz pousada no pescoço.
Claro que o progresso é lento e sofre frequentes desvios. Custa, contudo, a entender que quase quatro mil anos depois que o babilónico Hamurabi se saiu com o famoso “Código” – marco genial da nossa capacidade intelectual – ainda hoje sejamos capazes de ir, aos magotes, a Fátima, cantar o Avé, de votar num desses partidos políticos (tanto faz um como o outro, é igual); de suportar a ditadura do televisor sem o rebentar à sarrafada; de fazer do Bibi um caso nacional. Há, aqui pelo meio, grossa sabotagem, isso há – falta saber se por culpa de Deus se do Diabo.
Quatro mil anos após o “Código” de Susa e quase três mil sobre Platão, Sócrates e Aristóteles, haver quem tome a sério o Durão Barroso, admita que o Santana Lopes alape o cu na cadeira presidencial de Belém é surpreendente. Como, aliás, o é achar graça à Teresa Guilherme, ouvir as imbecilidades dum Big Brother, bater palmas ao Baião, acreditar na Manuela Ferreira Leite ou no Paulo Portas e tomar à letra as charlas de Marcelo Rebelo de Sousa.
Pregaram-nos partida e não pequena, leitor; cortaram-nos as vazas e as asas. Porque, nesses gloriosos tempos do Hamurabi, era lícito julgar-se que o homem cedo se tornaria num arcanjo – senhor de nobres gostos e lúcidos saberes – e não no pobre macaco que hoje é, ou voltou a ser.
Macaco a que só falta pôr novamente as mãos no chão, por coerência – o que, na certa, lhe traria vantagens para sobreviver como espécie. Assim, erecto e inepto, não vai longe.
Ainda hoje se desconhece quanto tempo passou desde que uns macacoides, levantadas as patas da frente, se assumiram como seres pensantes. Numa coisa, porém, os antropólogos estão de acordo: foram muitos (mas muitos) e penosos milénios.
O que representa tantos dias e noites que nos deixa perplexos. Porque, por mais problemas que o homem tenha encontrado pela frente, a sua cabeça devia estar bem mais arrumada do que está – em rigor, devia ser outra e não a que traz pousada no pescoço.
Claro que o progresso é lento e sofre frequentes desvios. Custa, contudo, a entender que quase quatro mil anos depois que o babilónico Hamurabi se saiu com o famoso “Código” – marco genial da nossa capacidade intelectual – ainda hoje sejamos capazes de ir, aos magotes, a Fátima, cantar o Avé, de votar num desses partidos políticos (tanto faz um como o outro, é igual); de suportar a ditadura do televisor sem o rebentar à sarrafada; de fazer do Bibi um caso nacional. Há, aqui pelo meio, grossa sabotagem, isso há – falta saber se por culpa de Deus se do Diabo.
Quatro mil anos após o “Código” de Susa e quase três mil sobre Platão, Sócrates e Aristóteles, haver quem tome a sério o Durão Barroso, admita que o Santana Lopes alape o cu na cadeira presidencial de Belém é surpreendente. Como, aliás, o é achar graça à Teresa Guilherme, ouvir as imbecilidades dum Big Brother, bater palmas ao Baião, acreditar na Manuela Ferreira Leite ou no Paulo Portas e tomar à letra as charlas de Marcelo Rebelo de Sousa.
Pregaram-nos partida e não pequena, leitor; cortaram-nos as vazas e as asas. Porque, nesses gloriosos tempos do Hamurabi, era lícito julgar-se que o homem cedo se tornaria num arcanjo – senhor de nobres gostos e lúcidos saberes – e não no pobre macaco que hoje é, ou voltou a ser.
Macaco a que só falta pôr novamente as mãos no chão, por coerência – o que, na certa, lhe traria vantagens para sobreviver como espécie. Assim, erecto e inepto, não vai longe.
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
NOITE DE NATAL
Como a família da Lurdinhas passou a consoada do ano passado
Para estreitar os laços familiares, não há nada que chegue à festa do Natal, lá isso é verdade, mas espero que neste ano as coisas corram melhor do que o ano passado e não seja preciso o meu pai ir mudar de roupa a meio do jantar por ter apanhado em cheio com o galheteiro do azeite nos cornos, atirado pela minha mãe que o topou a apalpar o cu à D. Filomena, uma prima da minha madrinha que veio de Angola e vive numa pensão em Almirante Reis e anda a estudar para manicure. A minha mãe ficou bera e com razão, não é por ser minha mãe, esteve quase a dar-lhe o fanico e só gritava: «Tirem-me essa puta da frente! Tirem-me essa puta da frente!» Mas quando as pessoas são educadas, as coisas acabam por compor-se e bastou tirarem a D. Filomena de ao pé do meu pai para ficar tudo em sossego. No fim até estiveram as duas a falar de crochés e da telenovela, que nessa altura dava na televisão, e a D. Filomena ofereceu-se para tratar os pés da minha mãe, assim que acabasse um curso de calista que andava a tirar ali para os lados da Fonte Luminosa. Essa bronca portanto foi o menos; o pior veio a seguir quando a minha avó teve a infeliz ideia de perguntar à prima Otília que presente de Natal é que lhe tinham dado os patrões do escritório onde ela trabalha e a parva descaiu-se a dizer que, do senhor Benjamim, recebeu um jogo de calcinhas e soutien em nylon, e do senhor Canelas, um vibrador-masturbador japonês, muito bonito, todo transistorizado. Ora, ao ouvir isto, o Fernando, que é o marido da Otília e tinha metido na boca uma grande garfada, engasgou-se, engoliu uma data de espinhas de bacalhau, cuspiu o resto no prato do meu avô e desatou ao bofetão à mulher: «Sua cabra! Sua ordinária!» e a dizer que ia enfiar o vibrador pelo cu do Canelas acima e partir os cornos ao porcalhão do Benjamim. E a palerma da Otília, em vez de se calar, como era a obrigação dela, cresceu para o marido que até parecia uma leoa: «Tire as patas de cima de mim, seu cabrão! Você é que tem cornos e dos grandes, ouviu?» E ele, todo a tremer: «Eu?! E ainda o dizes, grandessíssima puta?» E a Otília: «Pois digo para vergonha tua, que nem és marido nem nada! Se não fossem os meus patrões não sei o que seria de mim?». E desatou a chorar baba e ranho e então o Fernando agarrou na faca de cortar o bolo-rei e toda a família se pôs a gritar «Ai que ele mata-a! Ai que ele mata-a!», mas o meu pai tirou-lhe a faca e o tio Arnaldo obrigou-o a sentar-se na cadeira, deu-lhe palmadinhas nas costas e disse-lhe: «Não ligues ao que ela diz, pá, que as mulheres são todas umas putas», e ele ao ouvir estas boas palavras, ficou mais sossegado e até alargou um furo ao cinto para continuar a comer. O pior é que a tia Palmira não gostou da conversa do marido e começou a refilar que não queria confusões, que se as outras eram putas ela era uma mulher séria, que quem não se sente não é filho de boa gente, etc., etc., mas o tio Arnaldo que é um bocado bruto atirou-lhe logo esta a matar: «Escusas de armar em séria, que todos sabem que andaste enrolada com o Gonçalves da farmácia quando ele te tratou do eczema»; e ela, logo: «E tu com a Gracinda da peixaria, que até escamas de pargo trazias para casa nas cuecas!» E o tio Arnaldo, muito fodido: «As escamas de pargo não são aqui chamadas para nada, porra!» E, ao dizer isto, deu tal murro num prato de filhoses que saltou calda para todo o lado e até eu fiquei com o cabelo enchapoçado dela. E o meu pai que ia acudir pela tia Palmira, esteve vai não vai para apanhar outra vez com o galheteiro, pois a minha mãe tinha-o sempre debaixo de olho; enfim, só visto! O que valeu para que a festa de Natal não ficasse estragada foi a minha madrinha impor-se, visto ser ela a dona da casa, e avisar que não consentia faltas de respeito, que aquilo ali não era nenhuma taberna e que achava uma sacanice estarem a encher o bandulho à custa dela, com a comida cara como estava, e a portarem-se que nem javardos em vez de se mostrarem agradecidos. «Ou comem de bico calado ou vai tudo para o olho da rua!» disse ela e ninguém refilou; durante algum tempo só se ouviu mastigar, até que o senhor Aguinaldo, o sacana do velhote que está amigado com a minha madrinha e que até aí só abria a boca para meter para dentro, resmungou lá do canto que no olho da rua já nós devíamos estar há muito e que se a família dele fosse ordinária como a nossa já a tinha rifado. Um gajo bera, palavra de honra; não são coisas que se digam assim na frente das pessoas e ainda gostava de ver que merda de família é a dele; cheira-me que é para ali uma ciganada cheia de putas, chulos, sovaqueiras e arrebentas. Mas a minha mãe, que tem muito jeito para compor as coisas quando não está com a bolha, disse que o melhor era a minha madrinha abrir a televisão, que tem programas muito bonitos no Natal, porque as conversas não fazem falta para nada e a gente não estava ali para conversar mas para comer e que assim as crianças sempre estavam mais distraídas. Foderam-me!.
Foi assim que tive de gramar duas horas de chachadas como essa porcaria das canções do Natal, das entrevistas do Natal, das tradições do Natal, dos votos de Natal e até dos anúncios do Natal, sem ter feito mal a ninguém. Não é que eu goste de chavascal e sarrafada, mas, mal por mal, ainda preferia ver os parentes todos à porrada e a descobrir o cu uns aos outros do que ver a merda da televisão.
Como a família da Lurdinhas passou a consoada do ano passado
Para estreitar os laços familiares, não há nada que chegue à festa do Natal, lá isso é verdade, mas espero que neste ano as coisas corram melhor do que o ano passado e não seja preciso o meu pai ir mudar de roupa a meio do jantar por ter apanhado em cheio com o galheteiro do azeite nos cornos, atirado pela minha mãe que o topou a apalpar o cu à D. Filomena, uma prima da minha madrinha que veio de Angola e vive numa pensão em Almirante Reis e anda a estudar para manicure. A minha mãe ficou bera e com razão, não é por ser minha mãe, esteve quase a dar-lhe o fanico e só gritava: «Tirem-me essa puta da frente! Tirem-me essa puta da frente!» Mas quando as pessoas são educadas, as coisas acabam por compor-se e bastou tirarem a D. Filomena de ao pé do meu pai para ficar tudo em sossego. No fim até estiveram as duas a falar de crochés e da telenovela, que nessa altura dava na televisão, e a D. Filomena ofereceu-se para tratar os pés da minha mãe, assim que acabasse um curso de calista que andava a tirar ali para os lados da Fonte Luminosa. Essa bronca portanto foi o menos; o pior veio a seguir quando a minha avó teve a infeliz ideia de perguntar à prima Otília que presente de Natal é que lhe tinham dado os patrões do escritório onde ela trabalha e a parva descaiu-se a dizer que, do senhor Benjamim, recebeu um jogo de calcinhas e soutien em nylon, e do senhor Canelas, um vibrador-masturbador japonês, muito bonito, todo transistorizado. Ora, ao ouvir isto, o Fernando, que é o marido da Otília e tinha metido na boca uma grande garfada, engasgou-se, engoliu uma data de espinhas de bacalhau, cuspiu o resto no prato do meu avô e desatou ao bofetão à mulher: «Sua cabra! Sua ordinária!» e a dizer que ia enfiar o vibrador pelo cu do Canelas acima e partir os cornos ao porcalhão do Benjamim. E a palerma da Otília, em vez de se calar, como era a obrigação dela, cresceu para o marido que até parecia uma leoa: «Tire as patas de cima de mim, seu cabrão! Você é que tem cornos e dos grandes, ouviu?» E ele, todo a tremer: «Eu?! E ainda o dizes, grandessíssima puta?» E a Otília: «Pois digo para vergonha tua, que nem és marido nem nada! Se não fossem os meus patrões não sei o que seria de mim?». E desatou a chorar baba e ranho e então o Fernando agarrou na faca de cortar o bolo-rei e toda a família se pôs a gritar «Ai que ele mata-a! Ai que ele mata-a!», mas o meu pai tirou-lhe a faca e o tio Arnaldo obrigou-o a sentar-se na cadeira, deu-lhe palmadinhas nas costas e disse-lhe: «Não ligues ao que ela diz, pá, que as mulheres são todas umas putas», e ele ao ouvir estas boas palavras, ficou mais sossegado e até alargou um furo ao cinto para continuar a comer. O pior é que a tia Palmira não gostou da conversa do marido e começou a refilar que não queria confusões, que se as outras eram putas ela era uma mulher séria, que quem não se sente não é filho de boa gente, etc., etc., mas o tio Arnaldo que é um bocado bruto atirou-lhe logo esta a matar: «Escusas de armar em séria, que todos sabem que andaste enrolada com o Gonçalves da farmácia quando ele te tratou do eczema»; e ela, logo: «E tu com a Gracinda da peixaria, que até escamas de pargo trazias para casa nas cuecas!» E o tio Arnaldo, muito fodido: «As escamas de pargo não são aqui chamadas para nada, porra!» E, ao dizer isto, deu tal murro num prato de filhoses que saltou calda para todo o lado e até eu fiquei com o cabelo enchapoçado dela. E o meu pai que ia acudir pela tia Palmira, esteve vai não vai para apanhar outra vez com o galheteiro, pois a minha mãe tinha-o sempre debaixo de olho; enfim, só visto! O que valeu para que a festa de Natal não ficasse estragada foi a minha madrinha impor-se, visto ser ela a dona da casa, e avisar que não consentia faltas de respeito, que aquilo ali não era nenhuma taberna e que achava uma sacanice estarem a encher o bandulho à custa dela, com a comida cara como estava, e a portarem-se que nem javardos em vez de se mostrarem agradecidos. «Ou comem de bico calado ou vai tudo para o olho da rua!» disse ela e ninguém refilou; durante algum tempo só se ouviu mastigar, até que o senhor Aguinaldo, o sacana do velhote que está amigado com a minha madrinha e que até aí só abria a boca para meter para dentro, resmungou lá do canto que no olho da rua já nós devíamos estar há muito e que se a família dele fosse ordinária como a nossa já a tinha rifado. Um gajo bera, palavra de honra; não são coisas que se digam assim na frente das pessoas e ainda gostava de ver que merda de família é a dele; cheira-me que é para ali uma ciganada cheia de putas, chulos, sovaqueiras e arrebentas. Mas a minha mãe, que tem muito jeito para compor as coisas quando não está com a bolha, disse que o melhor era a minha madrinha abrir a televisão, que tem programas muito bonitos no Natal, porque as conversas não fazem falta para nada e a gente não estava ali para conversar mas para comer e que assim as crianças sempre estavam mais distraídas. Foderam-me!.
Foi assim que tive de gramar duas horas de chachadas como essa porcaria das canções do Natal, das entrevistas do Natal, das tradições do Natal, dos votos de Natal e até dos anúncios do Natal, sem ter feito mal a ninguém. Não é que eu goste de chavascal e sarrafada, mas, mal por mal, ainda preferia ver os parentes todos à porrada e a descobrir o cu uns aos outros do que ver a merda da televisão.
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
OS PECADOS DO SEXUAIS
Em matéria de sexo, as secções das revistas femininas tipo «consultório do amor» estão a substituir a velha confissão da Igreja Católica.
Dantes, os pecados (muito especialmente os ligados ao sexo) tratavam-se no confessionário, a dois, e ficavam selados pelo segredo da confissão – a inconfidência do padre era delito grave e se ele revelasse os pecados de alguma paroquiana arriscava-se a ser repreendido pelo seu bispo e mesmo a ir para o Inferno. Por isso as mulheres (e os homens) não receavam conta-los, pois tinham a certeza de jamais seriam divulgados. É claro que se pecava tanto ou mais do que agora, sobretudo no que toca a pecados sexuais, mas o que se passava na alcova não vinha para a praça pública.
As coisas mudaram e muito; e hoje as meninas e senhoras (e os homens) contam tudo; já não ao padre (que guardava segredo) mas nas páginas das revista femininas com tiragens de dezenas ou centenas de milhar. Contam, sem pudor, as fraquezas da carne e os vícios sexuais mais abjectos. Fazem-no sob a forma de «consultas de amor» com uma liberdade de conceitos e de linguagem que nos deixa de boca aberta.
Todos conhecemos essas secções pois são o atractivo de tais revistas. Coisas assim:
«O meu namorado gosta que eu lhe faça sexo oral e eu também não desgosto de o fazer, mas acho o sabor do esperma muito desagradável. Embora saiba que ele é uma pessoa muito limpa, não consigo vencer a repugnância e custa-me engolir. Só não lho digo por vergonha e para que ele não me ache uma moça muito antiquada. Que devo fazer?».
A consultora, responsável pela secção na revista, responde:
«Não há razão para se sentir envergonhada. Há muitas mulheres a quem isso acontece e, realmente, o sabor do esperma varia de homem para homem. Mas não se preocupe que, se insistir, o que agora lhe repugna, tornar-se-á agradável e até desejável».
Isto pode parecer incrível aos leitores de boa formação moral. Nós achamos simplesmente curioso, sobretudo o facto de a consultora dizer que «o sabor do esperma varia de homem para homem». Supomos que ela seja uma provadora emérita e experimentada.
(Nota: Tão rápida caminha a engenharia biológica que um dia os homens produzirão esperma com sabor a morango ou a framboesa, à vontade das suas amadas.)
Em matéria de sexo, as secções das revistas femininas tipo «consultório do amor» estão a substituir a velha confissão da Igreja Católica.
Dantes, os pecados (muito especialmente os ligados ao sexo) tratavam-se no confessionário, a dois, e ficavam selados pelo segredo da confissão – a inconfidência do padre era delito grave e se ele revelasse os pecados de alguma paroquiana arriscava-se a ser repreendido pelo seu bispo e mesmo a ir para o Inferno. Por isso as mulheres (e os homens) não receavam conta-los, pois tinham a certeza de jamais seriam divulgados. É claro que se pecava tanto ou mais do que agora, sobretudo no que toca a pecados sexuais, mas o que se passava na alcova não vinha para a praça pública.
As coisas mudaram e muito; e hoje as meninas e senhoras (e os homens) contam tudo; já não ao padre (que guardava segredo) mas nas páginas das revista femininas com tiragens de dezenas ou centenas de milhar. Contam, sem pudor, as fraquezas da carne e os vícios sexuais mais abjectos. Fazem-no sob a forma de «consultas de amor» com uma liberdade de conceitos e de linguagem que nos deixa de boca aberta.
Todos conhecemos essas secções pois são o atractivo de tais revistas. Coisas assim:
«O meu namorado gosta que eu lhe faça sexo oral e eu também não desgosto de o fazer, mas acho o sabor do esperma muito desagradável. Embora saiba que ele é uma pessoa muito limpa, não consigo vencer a repugnância e custa-me engolir. Só não lho digo por vergonha e para que ele não me ache uma moça muito antiquada. Que devo fazer?».
A consultora, responsável pela secção na revista, responde:
«Não há razão para se sentir envergonhada. Há muitas mulheres a quem isso acontece e, realmente, o sabor do esperma varia de homem para homem. Mas não se preocupe que, se insistir, o que agora lhe repugna, tornar-se-á agradável e até desejável».
Isto pode parecer incrível aos leitores de boa formação moral. Nós achamos simplesmente curioso, sobretudo o facto de a consultora dizer que «o sabor do esperma varia de homem para homem». Supomos que ela seja uma provadora emérita e experimentada.
(Nota: Tão rápida caminha a engenharia biológica que um dia os homens produzirão esperma com sabor a morango ou a framboesa, à vontade das suas amadas.)
Domingo, Novembro 23, 2003
DENTISTAS E DENTES
Muitos se perguntam por que estamos a ser invadidos por bandos de dentistas brasileiros.
Expliquemos porquê.
Foi no período devónico, cerca de 350 milhões de anos antes de Cristo, que apareceram os primeiros animais com dentes. Eram os tubarões, descendentes dos ostracodermos. Comer é, pois, um costume muito antigo, embora mais antigo ainda seja o beber, pois para beber não são precisos dentes. Daí a razão de haver mais bêbados do que comilões.
A mastigação é um prática inaugurada pelo tubarão, mas é grande a diferença que vai dos toscos dentes deste animal para a fiada de pérolas que as locutoras de TV empregam para sorrir. O sorriso é, talvez, a única demonstração evidente de que o focinho foi aperfeiçoado. O homem, além de ser o único animal que ri, é também o único que sabe rir. Inventou o riso para rir de si mesmo, coisa de que os animais não têm necessidade, pois não são suficientemente ridículos para isso.
Há duas coisas que tornam possível um sorriso bonito: a existência de dentes e a eficiente assistência técnica dum dentista. Eis por que a profissão desses senhores é extremamente rendosa. E não admira, pois é uma profissão muito ecléctica, visto que o dentista tem de saber fazer pontes como um engenheiro, coroas, como uma florista, extrair raizes como os matemáticos, perfurar como os mineiros, fazer sofrer como os gerentes bancários.
E a profissão é rendosa, pelo seguinte: o que mais há no corpo humano são dentes. Os outros órgãos que reclamam as atenções dos médicos, com excepção de alguns que nascem aos pares (como os pulmões, os rins e os colhões), aparecem, no corpo humano, isolados. Em contrapartida, os dentes aparecem às dezenas; 32 exactamente!
Atendendo a que existem no Mundo cerca de 6 biliões de pessoas, poderemos contar (se tivermos paciência para isso) à volta de 192 biliões de dentes, que é uma respeitável cifra com este aspecto: 192 000 000 000. Por aqui se poderá calcular a clientela e os lucros de um dentista.
Alguém objectará que nem todas as pessoas tem os trinta e dois dentes, como manda a lei. Mas (respondo), se não os têm, é porque os dentistas já lhos tiraram. Poderá argumentar-se ainda que muitos deles caem por si próprios, como maçãs maduras ou bichadas, e que muitos desaparecem em cenas de pancadaria. Mas (torno a responder) esses vão, no dia seguinte, consultar um dentista para que lhos substitua.
Por trás de cada dente ou em cada buraco onde já existiu um dente, não há dúvida, espreita a conta dum dentista.
Daí a invasão de dentistas brasileiros pois, segundo a propaganda que o nosso Governo faz lá fora, ainda há em Portugal alguns (poucos)cidadãos com possibilidade de comprar comida.
Até quando, D. Manuela?
Muitos se perguntam por que estamos a ser invadidos por bandos de dentistas brasileiros.
Expliquemos porquê.
Foi no período devónico, cerca de 350 milhões de anos antes de Cristo, que apareceram os primeiros animais com dentes. Eram os tubarões, descendentes dos ostracodermos. Comer é, pois, um costume muito antigo, embora mais antigo ainda seja o beber, pois para beber não são precisos dentes. Daí a razão de haver mais bêbados do que comilões.
A mastigação é um prática inaugurada pelo tubarão, mas é grande a diferença que vai dos toscos dentes deste animal para a fiada de pérolas que as locutoras de TV empregam para sorrir. O sorriso é, talvez, a única demonstração evidente de que o focinho foi aperfeiçoado. O homem, além de ser o único animal que ri, é também o único que sabe rir. Inventou o riso para rir de si mesmo, coisa de que os animais não têm necessidade, pois não são suficientemente ridículos para isso.
Há duas coisas que tornam possível um sorriso bonito: a existência de dentes e a eficiente assistência técnica dum dentista. Eis por que a profissão desses senhores é extremamente rendosa. E não admira, pois é uma profissão muito ecléctica, visto que o dentista tem de saber fazer pontes como um engenheiro, coroas, como uma florista, extrair raizes como os matemáticos, perfurar como os mineiros, fazer sofrer como os gerentes bancários.
E a profissão é rendosa, pelo seguinte: o que mais há no corpo humano são dentes. Os outros órgãos que reclamam as atenções dos médicos, com excepção de alguns que nascem aos pares (como os pulmões, os rins e os colhões), aparecem, no corpo humano, isolados. Em contrapartida, os dentes aparecem às dezenas; 32 exactamente!
Atendendo a que existem no Mundo cerca de 6 biliões de pessoas, poderemos contar (se tivermos paciência para isso) à volta de 192 biliões de dentes, que é uma respeitável cifra com este aspecto: 192 000 000 000. Por aqui se poderá calcular a clientela e os lucros de um dentista.
Alguém objectará que nem todas as pessoas tem os trinta e dois dentes, como manda a lei. Mas (respondo), se não os têm, é porque os dentistas já lhos tiraram. Poderá argumentar-se ainda que muitos deles caem por si próprios, como maçãs maduras ou bichadas, e que muitos desaparecem em cenas de pancadaria. Mas (torno a responder) esses vão, no dia seguinte, consultar um dentista para que lhos substitua.
Por trás de cada dente ou em cada buraco onde já existiu um dente, não há dúvida, espreita a conta dum dentista.
Daí a invasão de dentistas brasileiros pois, segundo a propaganda que o nosso Governo faz lá fora, ainda há em Portugal alguns (poucos)cidadãos com possibilidade de comprar comida.
Até quando, D. Manuela?
CARTA AO PAPA
Exmº. Sr. Papa:
Vossa Santidade está metido numa alhada de que não sei, francamente, como se vai desenrascar. É o caso dos padres pedófilos.
E tudo porque nunca ligou puto às nossas advertências. Por mais de uma vez lhe temos chamado a atenção: cuidado com essa cambada! De uns tipos que vivem em permanente ociosidade outra coisa não seria de esperar. Se tivessem de vergar a mola já não lhes sobrava tempo nem vontade de entrar nessas vacarrices abjectas com crianças. E com as facilidades que lhes dá o confessionário, ali metidos num cubículo, numa penumbra propiciatória, segredando conselhos e sugestões, desvendando a vida privada da indefesaa vítima, com a autoridade que o seu posto lhes confere, com um poder quase igual ao de Deus... o que é que Vossa Santidade esperava que acontecesse?
Acabar com essa prática abjecta do confessionário será meio caminho andado para a moralização dos padres. Os católicos de todo o mundo esperam que tenha coragem para o fazer. Se não acabar, já, com as confissões, terá ainda muitos amargos de boca: porque, sobre padres pedófilos, não sabe ainda a missa a metade.
Desejamos-lhe uma longa vida.
Exmº. Sr. Papa:
Vossa Santidade está metido numa alhada de que não sei, francamente, como se vai desenrascar. É o caso dos padres pedófilos.
E tudo porque nunca ligou puto às nossas advertências. Por mais de uma vez lhe temos chamado a atenção: cuidado com essa cambada! De uns tipos que vivem em permanente ociosidade outra coisa não seria de esperar. Se tivessem de vergar a mola já não lhes sobrava tempo nem vontade de entrar nessas vacarrices abjectas com crianças. E com as facilidades que lhes dá o confessionário, ali metidos num cubículo, numa penumbra propiciatória, segredando conselhos e sugestões, desvendando a vida privada da indefesaa vítima, com a autoridade que o seu posto lhes confere, com um poder quase igual ao de Deus... o que é que Vossa Santidade esperava que acontecesse?
Acabar com essa prática abjecta do confessionário será meio caminho andado para a moralização dos padres. Os católicos de todo o mundo esperam que tenha coragem para o fazer. Se não acabar, já, com as confissões, terá ainda muitos amargos de boca: porque, sobre padres pedófilos, não sabe ainda a missa a metade.
Desejamos-lhe uma longa vida.
MARIDOS IMPOTENTES
– A impotência masculina não existe. – afirma categoricamente o dr. Bergstrom de Nova Iorque – Na maior parte dos casos trata-se apenas de uma desculpa que os homens dão para os deixarem dormir em paz; ou então para evitar que, a pretexto da cambalhota, lhes venham pedir dinheiro, vestidos, jóias, comesainas nos restaurantes... ou até outra cambalhota.
Não existem portanto maridos impotentes, mas apenas maridos preguiçosos ou aldrabões, estimadas leitoras. E se, no caso da preguiça, a cura é muito difícil – pois um tipo que nasce preguiçoso, morre preguiçoso, por mais que tentem estimulá-lo – no caso da real impotência há boas hipóteses de cura. O que é preciso é reciclá-lo.
a) Se o seu marido é dos que se cortam e a leitora quer endireitá-lo (em todo o sentido da palavra), comece por transmitir-lhe a convicção de que não será explorado, mas recompensado. No final de cada queca ofereça-lhe um presente: um par de peúgas, uma gravata, um after-shave ou uma garrafa de uísqui;
b) Não passe a vida a comprar trapos novos; diga-lhe que o amor (dele) a aquece muito mais e melhor do que essas futilidades;
c) Não o crave para ir comer mariscos à cervejaria; leve-lhe você as gambas e a lagosta à cama;
d) Não lhe peça dinheiro para produtos de beleza; convença-o de que o cálcio e as hormonas (do esperma dele) lhe farão melhor à pele do que um tratamento no instituto de beleza.
e) Deixe-o dar umas quecas com outras mulheres, mesmo com prostitutas (para não perder o hábito) e até com amigas suas, proprcionando-lhe esses encontros. Isto se as suas amigas forem boas e eficazes fodilhonas, caso contrário pode agravar ainda mais o desinteresse dele pelo foqui-foqui.
– A impotência masculina não existe. – afirma categoricamente o dr. Bergstrom de Nova Iorque – Na maior parte dos casos trata-se apenas de uma desculpa que os homens dão para os deixarem dormir em paz; ou então para evitar que, a pretexto da cambalhota, lhes venham pedir dinheiro, vestidos, jóias, comesainas nos restaurantes... ou até outra cambalhota.
Não existem portanto maridos impotentes, mas apenas maridos preguiçosos ou aldrabões, estimadas leitoras. E se, no caso da preguiça, a cura é muito difícil – pois um tipo que nasce preguiçoso, morre preguiçoso, por mais que tentem estimulá-lo – no caso da real impotência há boas hipóteses de cura. O que é preciso é reciclá-lo.
a) Se o seu marido é dos que se cortam e a leitora quer endireitá-lo (em todo o sentido da palavra), comece por transmitir-lhe a convicção de que não será explorado, mas recompensado. No final de cada queca ofereça-lhe um presente: um par de peúgas, uma gravata, um after-shave ou uma garrafa de uísqui;
b) Não passe a vida a comprar trapos novos; diga-lhe que o amor (dele) a aquece muito mais e melhor do que essas futilidades;
c) Não o crave para ir comer mariscos à cervejaria; leve-lhe você as gambas e a lagosta à cama;
d) Não lhe peça dinheiro para produtos de beleza; convença-o de que o cálcio e as hormonas (do esperma dele) lhe farão melhor à pele do que um tratamento no instituto de beleza.
e) Deixe-o dar umas quecas com outras mulheres, mesmo com prostitutas (para não perder o hábito) e até com amigas suas, proprcionando-lhe esses encontros. Isto se as suas amigas forem boas e eficazes fodilhonas, caso contrário pode agravar ainda mais o desinteresse dele pelo foqui-foqui.